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Pode estar surgindo medicamento que desativa os vírus mais mortais do mundo

É possível que uma série de compostos iniba a capacidade viral de invadir as células e criar resistências

Bob Roehr
iStockphoto
Guerra viral: novo composto apresenta ação contra o ebola, Nipah,HIV e outros
Benhur Lee pode ter descoberto um medicamento possivelmente capaz de desativar a pandemia dos vírus HIV, Ebola, gripe comum e, talvez, todo tipo de vírus existente no planeta. A maior vantagem desse novo medicamento é que impede os vírus de criar resistência.

Se isso soa como “bom demais para ser verdade”, você não está sozinho. Lee estava cético mesmo, e é por isso que demorou quatro anos em um trabalho detalhado em seu laboratório na University of California, Los Angeles (UCLA), junto com colaboradores espalhados por todo o país.

Lee é especialista em envelope viral ─ superfície exterior e dinâmica de um vírus. O estudo começou com o rastreio de 30 mil compostos para tentar inibir as atividades de um vírus chamado Nipah. Esse vírus é tão mortal que qualquer tipo de estudo com ele só pode ser feito em um laboratório de nível 4 em biossegurança (existem apenas quatro laboratórios como esse nos Estados Unidos).

Lee criou um vírus hibrido usando um vírus relativamente inofensivo como base apenas o envelope do Nipah. Dessa forma, os testes para saber se o determinado composto poderia inibir a entrada do vírus nas células foram realizados em laboratórios comuns.

“O composto LJ001 realmente parecia ser eficaz, pois podia inibir a concentração do patógeno sem ser tóxico para as células”, explicou Lee.
Após uma série de estudos, os pesquisadores confirmaram a atividade e a ausência de toxicidade. Lee então enviou algumas amostras do composto e de um controle para um colega do laboratório da Ala Médica da University of Texas em Galveston, que o testou contra o vírus Nipah, Ebola e outros. Os pesquisadores ficaram espantados quando perceberam que o LJ001 inibiu a entrada de todos os vírus testados.

"Começamos a testar uma lista de 20 vírus, e todos foram inibidos pelo novo composto. Eu não tinha idéia do que estava acontecendo, não consegui achar nada em comum sobre os vírus, mas mesmo assim estavam sendo abatidos", disse Lee. Finalmente, quando os pesquisadores testaram o composto contra o adenovírus, ele se mostrou resistente. Só então entenderam a semelhança: o LJ001 só consegue inibir vírus que tenham um envelope lipídico.

Lee demonstrou que o composto se liga aos lipídeos no envelope de ambos os vírus e inibe a invasão celular. Eventualmente, percebeu que ele causa danos para ambos os organismos. A diferença é que nossas células estão preparadas para consertar anormalidades. Como os vírus são mais primitivos, não possuem mecanismos de reparo. Lee está trabalhando para tentar superar algumas barreiras que foram identificadas, ele reconhece precisará de uma grande equipe de especialistas para conseguir por o medicamento nas prateleiras das farmácias.

"A amplitude da atividade antiviral é fascinante, mas temo que possa haver mais toxicidade do que é esperado. Células primárias são frequentemente muito mais sensíveis do que as dos laboratórios", segundo Warner Greene, diretor do Instituto Gladstone de Virologia e Imunologia da University of California.