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Polvo robô nada com peixes

O corpo do robô é feito de poliuretano, forjado em moldes produzidos em uma impressora 3D

Dimitris Tsakiris et al.
Por Katherine Harmon Courage

Polvos-robô já conseguem andar, emitir jatos e até agarrar ferramentas. Mas novos avanços fizeram essas máquinas nadar mais rápido que nunca. E graças à adição de coberturas macias e espessas eles estão ficando muito mais parecidos com os bichos de verdade. De fato, o polvo-robô mais recente já foi um sucesso nadando – junto a peixes de verdade – no mar da Creta.

A mesma equipe de pesquisadores da Grécia construiu um braço robótico que imitava o estilo de natação de polvos reais – e até adicionou um nado “com remos” – no ano passado. Este ano, eles realizaram um novo avanço para produzir polvos robóticos mais realistas e naturais adicionando uma cobertura a seus braços macios. E deixando-os livre de cabos.

O robô é controlado sem fio, por meio de frequências de rádio, e sua bateria pode aguentar até uma hora de natação. O corpo do robô é feito de poliuretano, forjado em moldes produzidos em uma impressora 3D. A combinação de braços e coberturas maciais é feita de silicone, que tem uma densidade semelhante à da água, como a de polvos reais. O polvo-robô foi apresentado na semana passada durante a Conferência Internacional sobre Robôs e Sistemas Inteligente IEEE/RSJ, em Chicago.

O robô pode nadar a velocidades de até metade de sua extensão corporal (ou 180 milímetros) por segundo. Não é exatamente uma velocidade impressionante – especialmente se ele estiver sendo utilizado para um de seus propósitos originais, como ferramenta de busca e resgate. Mas ele ainda deixa outros robôs cefalópodes comendo poeira. E faz isso de maneira bem eficiente se comparado a modelos sem cobertura, apontam os pesquisadores.

Os pesquisadores esperam que, um dia, esses robôs macios, eficientes e velozes sejam capazes de ajudar com a “inspeção de estruturas subaquáticas, operações de busca e resgate ou a exploração de ecossistemas marinhos”, observam em seu artigo.

Alguns robôs competidores, como as máquinas Robojelly e AquaJelly, já usam essa técnica de propulsão. Mas eles se inspiraram em águas-vivas, e têm estilos de natação mais limitados, apontam os pesquisadores. O polvo-robô consegue girar e rastejar, mesmo sendo desajeitado.

Braços que servem duas funções, locomoção e manipulação de objetos, foram “inspirados pelas incríveis capacidades do polvo”, apontam os pesquisadores em seu artigo.

Por que não contratar um polvo de verdade? Eles são um pouco temperamentais. E ainda não aprenderam a obedecer instruções verbais.