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Espirrar Faz Bem

Alergias podem ter surgido para nos proteger de toxinas ambientais

Melinda Wenner
©Artisticco/ Shutterstock
A maioria dos especialistas vê as alergias como reações imunes equivocadas contra substâncias inócuas como pólen ou amendoim. Alguns, no entanto, propõem uma teoria de alergias fundamentalmente diferente: nariz irritado, tosse e coceira podem ter evoluído para nos proteger de produtos químicos tóxicos, como veneno de cobra, presentes no ambiente e em alimentos.

Há muito tempo imunologistas acreditam que quem tem alergia é vítima de uma resposta tipo 2 equivocada, que se acredita ter evoluído para nos proteger de parasitas. Essa reação fortalece as barreiras protetoras do corpo e promove a expulsão de invasores.

Nosso corpo luta também contra substâncias nocivas usando a resposta tipo 1, que elimina diretamente patógenos como vírus, bactérias e células infectadas. A ideia é que patógenos menores podem ser mortos, mas é mais eficiente enfrentar os maiores defensivamente.

Ruslan Medzhitov, imunobiólogo da Yale University, nunca aceitou a ideia de que as alergias são “soldados anônimos do exército antiparasita do corpo”. Os parasitas e as substâncias que provocam alergias, chamadas alergênicas, “não têm nada em comum”. Primeiro porque existe um número quase ilimitado de alergênicos; segundo porque reações alérgicas podem ser extremamente rápidas – da ordem de segundos – e “uma resposta a parasitas pode demorar um pouco mais”, justifica o pesquisador.

Em um artigo publicado em abril na Nature [Scientific American é parte do Nature Publishing Group], Medzhitov e seus colegas argumentam que as alergias não são um erro, elas surgiram por uma razão: “Como nos defender de algo que inalamos por acaso? Produzindo muco, ficando com o nariz escorrendo, espirrando e tossindo. Se estiver em nossa pele, evitamos a substância devido à irritação ou tentamos remover ao coçar”, reforça o pesquisador. Da mesma maneira, se ingerimos algo alergênico nosso corpo pode reagir com vômitos.

Entre as evidências citadas por Medzhitov está um estudo de 2006, publicado na Science, relatando que células-chave envolvidas em respostas alérgicas se degradam e desintoxicam veneno de cobra e de abelha. Um estudo de 2010, publicado no Journal of Clinical Investigation, sugere que respostas alérgicas à saliva de carrapatos impedem que eles se fixem no corpo e se alimentem.

Como isso concorda com o conhecimento atual sobre alergias? Um estudo de 2011, publicado no New England Journal of Medicine, relata que crianças que crescem em fazendas, expostas a muitos microrganismos, apresentam menor tendência a desenvolver asma e alergias. Essa ideia, conhecida como “hipótese da higiene”, sugere que quem convive com bactérias e vírus no início da vida investe mais recursos imunes em respostas tipo 1. Medzhitov sustenta que essa hipótese pode coexistir com a dele.

Por fim, a teoria de Medzhitov levanta mais perguntas que respostas, mas muitos concordam que suas suspeitas são plausíveis: “Isso nos estimula a desenvolver algumas hipóteses novas”, ressalta Kari Nadeau, imunologista da Escola de Medicina da Stanford University.
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