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A equipe de pesquisa examinou uma série de mudanças no genoma no qual uma base (unidade de material genético) foi deletada, duplicada ou substituída. (Essas alterações são conhecidas como polimorfismo de nucleotídeo único, ou SNPs, na sigla em inglês). Em um estudo, cientistas da empresa de biotecnologia deCODE, da Islândia, tentaram relacionaram essas variantes genéticas aos hábitos de um fumante; a outra pesquisa tentou relacioná-las ao câncer de pulmão.
A equipe da deCODE fez uma pesquisa com 50.000 fumantes da Islândia. Com as informações coletadas, além de uma varredura do genoma de 40.000 fumantes assumidos no grupo, os pesquisadores chegaram a uma variante do gene CHRNA, que codifica um receptor nos neurônios que pode ser estimulado pela nicotina. A versão alterada do gene era mais comum entre os fumantes inverterados que no restante do grupo analisado. “Os não-fumantes têm uma freqüência maior dessa variante que aquelas pessoas que fumam entre um e 10 cigarros por dia porque se você fuma e tem essa variante, tende a fumar mais de 10 cigarros por dia”, explica o neurologista Kári Stefánsson, CEO da deCODE.
Quando a equipe de Stefánsson relacionou as estatísticas obtidas à incidência de câncer de pulmão, descobriu que pessoas com duas cópias do gene alterado tinham uma assustadora chance 70% maior de desenvolver câncer de pulmão; aquelas com uma única cópia tinham corriam um risco 30% maior.
Essas descobertas são quase idênticas à dos outros estudos. Um deles, (publicado na Nature) conduzido pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês) em Lyon, na França (com base em exames de 11.000 voluntários, 7.500 dos quais eram fumantes), e o outro (publicado na Nature Genetics) realizado por uma equipe do M.D. Anderson Cancer Center, da University of Texas, em Houston, que examinou 9.000 pessoas, das quais 4.000 eram fumantes. |