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Paul Brennan, que liderou o estudo do IARC, disse que, inicialmente, acreditava que o risco de desenvolver câncer de pulmão era elevado pela predisposição genética para se tornar dependente. “Os genes aumentariam a probabilidade de fumar, e de fumar mais, e diminuiriam as chances de largar o cigarro. Assim, a pessoa seria mais propensa a desenvolver câncer de pulmão”, ele explica. Mas sua pesquisa demonstrou que, na verdade, o gene parece aumentar independentemente o risco de desenvolvimento da doença – sem nenhuma ligação com a dependência.
Volkow, do NIDA, sugere que a variante gênica pode levar certas pessoas a fumar devido ao efeito dos centros de recompensa do cérebro (associados ao comportamento de dependência) e pode aumentar o risco de câncer, também, pois tem um papel na função dos tecidos pulmonares. O epidemiologista Christopher Amos, que liderou o estudo no Texas, ressalta que já foi demonstrado em outros estudos que o mesmo receptor de nicotina implicado nessa pesquisa promove o crescimento de tumores em outras áreas do corpo, mais surpreendentemente no timo (órgão localizado próximo dos pulmões e que produz células de imunidade). “A nicotina ou seus derivados podem estimular a proliferação das células e sua participação no desenvolvimento de novos vasos sanguíneos, e a não sofrerem morte celular”, ele explica – todas características de formação e crescimento de tumores. “Assim, há a possibilidade de existir um efeito direto da nicotina ao ativar células para que se tornem cancerosas”.
Brennan diz que serão necessários mais estudos antes que os resultados possam ser utilizados.
“Não se trata de uma mensagem para a população em geral, de que você pode descobrir qual versão do gene tem e decidir se vai continuar fumando ou não”, ele diz. “Mas é necessário ter em mente que há uma série de outras doenças que também são causadas pelo tabagismo.” |