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Financiamento coletivo viabiliza reserva marinha em Palau

Recursos serão destinados à criação e manutenção de santuário marinho no Pacífico

 

Shutterstock/Ethan Daniels
Peixe mandarim (Synchiropus splendidus)
 Por David Shiffman

A nação insular agitou o mundo conservacionista em junho deste ano ao anunciar seu plano de transformar suas águas territoriais em uma área marinha protegida, interditada à exploração comercial.

A solução para viabilizar o projeto dependerá, em parte, do chamado crowdfunding [financiamento coletivo], um processo cada vez mais apreciado para a captação de recursos.

As águas de Palau abrigam mais de mil espécies de peixes tropicais e seu novo santuário marinho nacional abrangerá aproximadamente 600.000 km2, uma área equivalente à da França.

A medida é a mais recente ação para conservação oceânica vinda de um país cuja constituição determina que líderes “tomem medidas positivas para conservar um meio ambiente natural belo, saudável e cheio de recursos [sic]”.

Estabelecer e gerenciar uma área marinha protegida pode pesar muito nas finanças de uma nação.

Além da necessária aquisição de tecnologia para fazer cumprir as normas (não só barcos e aviões, mas drones, satélites e boias de monitoramento passivo), é caro pesquisar a eficiência da área protegida, divulgar publicamente as novas leis e instruir a população local sobre elas.

Para ajudar a cobrir parte desses custos, Palau criou a campanha de crowdfunding “Stand with Palau” (“Apóie Palau”, em tradução literal). Esse esforço, que recentemente foi encerrado após arrecadar recursos de mais de 400 doadores, é verdadeiramente histórico.

“Essa é a primeira vez que um estado-nação lança uma campanha de conservação marinha por meio de financiamento coletivo”, salienta Daniel Kachelriess, coordenador de doações do movimento “Apóie Palau”.

“O dinheiro arrecadado através da campanha ajudará diretamente na implantação do Santuário Marinho Nacional de Palau. Trata-se realmente de elaborar os próximos passos, especialmente no que diz respeito à coleta de dados, estrutura de monitoramento e aplicação das leis, além de garantir que o santuário marinho seja implantado de uma forma que seja econômica e ambientalmente sustentável em médio prazo”, acrescenta.

Especialistas em conservação marinha acreditam que “Apóie Palau” poderia tornar-se um possível exemplo a ser replicado em outros lugares.

“O crowdfunding é muito promissor se você puder apresentar ações concretas e projetos resultantes do esforço”, observa Beth Pike, cientista conservacionista no Instituto de Conservação Marinha. “Microdoações, aplicativos e coisas do gênero são o futuro para gerações mais jovens”. E acrescenta: “Acredito que projetos ‘sexy’ como criar tecnologias para impor e fazer respeitar AMPs [áreas marinhas protegidas] poderia ser, e tem sido para Palau, algo que funciona para campanhas de arrecadação/financiamento”.

Apesar da variação nos efeitos, as AMPs mais eficientes resultam em crescimento tanto do número de peixes como da variedade de espécies marinhas em comparação com áreas imediatamente adjacentes, onde a pesca é permitida.

O dinheiro arrecadado até agora serve como uma demonstração inicial de que esse método de financiamento, baseado na internet, é potencialmente viável para suprir pelo menos parte do apoio necessário para lançar ambiciosos projetos ambientais em áreas remotas do globo.

Ainda não está claro se essa abordagem poderia tornar-se um meio primário de apoio financeiro em uma base contínua. Mas, por enquanto, os recursos captados pela campanha “Apóie Palau” refletem um suporte global para o novo Santuário Marinho Nacional.

Sciam 21 de outubro de 2014