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Primeiro mapa do desenvolvimento de células sexuais humanas

Estudo representa um avanço na direção do tratamento de infertilidade com células-tronco

Becky Summers e revista Nature
© Sebastian Kaulitzki/shutterstock
A infertilidade afeta cerca de 10% dos casais e, em alguns casos, resulta da inabilidade de produzir gametas – também conhecidos como espermatozoides e óvulos.

O primeiro estudo do desenvolvimento dessas ‘células germinativas’ humanas poderia ajudar cientistas a aprender como criá-las em laboratório.

A idade reprodutiva de humanos está entre os 15 e 45 anos de idade mas as células precursoras que produzem óvulos ou espermatozoides humanos são formadas muito antes, quando o óvulo fertilizado se transforma em uma minúscula bola de células no ventre da mãe.

Esse aglomerado de células contém ‘células-tronco pluripotentes’ – “folhas em branco”que podem ser programadas para se tornarem qualquer tipo de célula do corpo – e pesquisadores esperam usar essas células-tronco para tratar vários problemas, inclusive a infertilidade.

Pouco se sabe, porém, sobre os primeiros estágios de desenvolvimento dos gametas humanos em decorrência da  sensibilidade de trabalhar com tecidos humanos – e a maior parte do trabalho nessa área foi conduzida com ratos.

Em um artigo da Nature Cell Biology de 16 de dezembro, pesquisadores da University of California, Los Angeles, traçam o desenvolvimento de células germinativas primitivas em fetos humanos de 6 a 20 semanas e analisam quando genes são ligados ou desligados.

O DNA dentro dessas células germinativas primitivas carrega ‘modificações epigenéticas’ – mudanças estruturais que não afetam a sequência de DNA em si, mas afetam a maneira como os genes são expressados.

Essas mudanças podem ter se acumulado durante a vida dos pais, e precisam ser apagadas durante a fase fetal. O estudo encontrou dois grandes eventos que limpam, ou reprogramam, modificações epigenéticas. A maior parte dessa reprogramação aconteceu antes da 6ª semana, mas os autores encontraram um segundo evento que completa a reprogramação depois desse período.

“Esse é um artigo importante e fundamental para compreender as células germinativas e descobrir as informações básicas sobre a biologia das células germinativas humanas”, explica a bióloga reprodutiva Evelyn Telfer, da University of Edinburgh, no Reino Unido. “Os pesquisadores estão trabalhando em uma área não-mapeada”.

A equipe de Los Angeles trabalhou com amostras anônimas de fetos abortados (depois de receberem consentimento) do Laboratório de Pesquisa de Defeitos de Nascimento da University of Washington, em Seattle.

Os pesquisadores também observaram que células germinativas de seis semanas criadas em laboratório não são iguais a células germinativas humanas com a mesma idade, sugerindo que existe um bloqueio no desenvolvimento de células laboratoriais que cientistas não conseguem entender.

“A seguir, precisamos descobrir o que está faltando para transformar células germinativas imaturas em óvulos ou espermatozoides em laboratório. Se não tivermos um mapa para seguir, estaremos simplesmente ‘chutando’. Agora que nós temos uma imagem da aparência que essas células devem que ter, podemos começar a tentar imitá-las”, observa a coautora do estudo, Amander Clark.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 16 de dezembro de 2012. 
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