Notícias
  
28 de janeiro de 2008
Projeto dos 1.000 Genomas: expandindo o mapa da genética humana
Pesquisadores esperam que a iniciativa acelere a descoberta das raízes genéticas de várias doenças
por David Biello
1.000 Genomas – Ao seqüenciar vários genomas a fundo, e algumas centenas deles de maneira menos rigorosa, cientistas criarão um mapa da diversidade genética humana, que pode abrir caminho para descobrir as possíveis raízes genéticas das doenças.
O número de genomas humanos seqüenciados logo chegará aos mil, como parte de um novo consórcio internacional de pesquisa para determinar a origem genética de doenças. Mas, antes, uma mãe, um pai e um filho adulto de uma família de ascendência européia de Utah, nos Estados Unidos, assim como os pais e um filho de uma família de descendentes de Yorubas (grupo étnico do oeste da África) na Nigéria, se juntarão a uma pessoa anônima e aos famosos geneticistas Craig Venter e James Watson no exclusivíssimo grupo de humanos que já tiveram uma leitura completa de seus quase três bilhões de pares de DNA. E essas seis pessoas também terão seus códigos genéticos examinados pelo menos vinte vezes, fornecendo uma precisão 10 vezes maior que a das seqüências genéticas existentes, e abrindo caminho para uma iniciativa ambiciosa apelidada de “Projeto dos 1.000 Genomas” – que irá mapear de maneira abrangente as variações genéticas da humanidade.

“A referência que obtivemos em 2003 (da pessoa anônima) é apenas uma seqüência do genoma humano, mas há seis bilhões de pessoas e as seqüências de todos são importantes”, afirma um dos líderes do projeto, Richard Durbin, do Wellcome Trust Sanger Institute em Cambridge, na Inglaterra. “Seqüenciar tudo isso não é possível, mas os resultados do Projeto dos 1.000 Genomas chegarão um pouquinho mais perto do total.”

O projeto terá três etapas, de acordo com o consórcio. A primeira, que já está em andamento e deve ser completada até o final deste ano, é uma varredura detalhada do genoma dessas seis pessoas. O procedimento será seguido por um escaneamento menos detalhado do genoma de 180 pessoas anônimas do mundo inteiro, e então por varreduras parciais de mais mil participantes. “Com os dados de mil pessoas, teremos variantes genéticas que estão presentes em cerca de 1%, ou em uma freqüência mais baixa, na população humana”, diz a geneticista Lisa Brooks, diretora do Programa de Variação Genética do National Human Genome Research Institute, em Bethesda, Maryland, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores planejam usar as seqüências genéticas comuns das seis pessoas iniciais para permitir um escaneamento menos rigoroso à medida que o projeto se acelera. Por exemplo, uma região do DNA em comum de umas das pessoas que tiveram o genoma escaneado detalhadamente poderia preencher as lacunas em branco de um participante que terá uma varredura menos rigorosa. “Tudo isso precisa ser testado”, diz Brooks, “Fazer esse escaneamento duas vezes será suficiente?”
1 2 »
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!