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24 de março de 2009
Quando a ciência ajuda a preservar a arte
Restauradores de obras de arte e cientistas se reúnem para discutir nova forma de preservar acervo de museus
por Katherine Harmon
ISTOCKPHOTO/AUTOPOIESIS
Microrganismos podem ser usados para consertar rachaduras em esculturas de mármore ao depositar minerais da mesma cor da superfície. O resultado é um remendo muito bem disfarçado ─ uma cirurgia sem cicatriz ─ bem diferente do que aparece na testa de Alexandre, o Grande, feito pelo método tradicional.
Restauradores de arte, curadores de museus e cientistas de todo o mundo se reuniram no início de fevereiro em Caracas, Venezuela, para discutir algumas preocupações crescentes com a recuperação de obras de arte e peças de acervos em todo o mundo ─ especialmente em climas tropicais, onde são mais atingidas por mofo, fungos e insetos. No fórum sobre a Conservação do Patrimônio Cultural pesquisadores destacaram diversas aplicações de , que pode ser prejudicial para objetos delicados, até limpar uma peça com bactérias adequadamente selecionadas.

A ciência finalmente “estabeleceu uma base sólida no mundo da arte”, avalia José Luis Ramirez, co-autor de um estudo sobre a utilização da biotecnologia na preservação da arte, e diretor do Programa de Biotecnologia da United Nations University para a América Latina e Caribe (Biolac, na sigla em inglês), uma escola interdisciplinar que promove o uso da biotecnologia em diversas áreas, desde a agricultura até indústria de manufaturados.

O evento, patrocinado pelas Nações Unidas e pela Fundação para Conservação do Patrimônio Cultural ─ uma organização sem fins lucrativos que promove a preservação de objetos de arte ─ foi realizado no Instituto de Estudos Avançados de Caracas. Este ano o tema foi a conservação de acervos e coleções completas, que segundo Álvaro González, diretor da Fundação na Venezuela, estão em “estado de emergência.”

As condições atuais e até futuras de muitas coleções, mantidas em museus e galerias de países tropicais, preocupam Ramirez. Ele observa que o clima em países como a Venezuela é “bom para o número de espécies, mas ruim para o número de parasitas.” Ao contrário de um museu americano convencional, muitas instituições na América Latina não estão equipadas com ar-condicionado e outros dispositivos para controlar temperatura e umidade, por exemplo. Esses procedimentos se tornaram ainda mais raros no atual cenário financeiro, Quando a economia vai mal, a primeira vítima é a cultura, lamenta Ramirez.
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