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Uso de combustíveis influenciou eventos climáticos extremos

Relatório detalha influência humana em eventos excepcionais como secas, tempestades e ondas de calor

Robert Simmon/ Observatório da Terra NASA/ Cortesia de NASA/NOAA/ Equipe do Projeto Ciência
Os impactos do furacão Sandy foram agravados pela elevação do nível do mar.
Por Sheril Kirshenbaum

No dia 5 de setembro, uma nova análise de mudanças climáticas e condições meteorológicas extremas foi divulgada no Bulletin of the American Meteorological Society, uma publicação revisada por pares.

O estudo, intitulado “Explaining Extreme Events of 2012 from a Climate Perspective” (“Explicando eventos extremos de 2012 de uma perspectiva climática”), reuniu 18 equipes de pesquisadores de todo o mundo para avaliar 12 eventos climáticos excepcionais, como ondas de calor, tempestades e secas em cinco continentes e no Ártico durante 2012. 

Aproximadamente metade das análises encontrou indícios de que a mudança climática antropogênica (causada pelo homem) foi um fator contribuinte para o fenômeno analisado, embora os efeitos das flutuações naturais do tempo e do clima na evolução de muitas dessas anomalias também desempenhassem papéis relevantes.

O relatório aponta quando e onde as mudanças climáticas induzidas pelo homem (essencialmente a queima de combustíveis fósseis que libera gases de feito estufa) contribuíram para ocorrências climáticas extremas específicas.

A equipe internacional concluiu, por exemplo, que os impactos do furacão Sandy (imagem fotográfica ao lado) foram agravados pelo aumento do nível do mar, e que as elevadas temperaturas nos Estados Unidos provavelmente ocorrerão com maior frequência. E isso é só o começo... A íntegra do relatório, em inglês, está acessível em  http://goo.gl/EAsWRa .

É bom ter esses tipos de dados novos para construir um argumento mais forte de que precisamos fazer alguma coisa.

Mas, dito isso, quantas análises mais serão necessárias? Quanto tempo, energia e recursos preciosos mais gastaremos documentando as mudanças climáticas?

A comunidade científica já sabe que elas estão acontecendo. Sabemos que a Terra está ficando mais quente em alguns lugares, mais úmida em outros, mais seca em regiões que já são secas, e mais tempestuosa em áreas muito vulneráveis.

O excesso de carbono está mudando a atmosfera e os oceanos. Pior: mesmo se todas as emissões parassem hoje, continuaríamos a ver os impactos do excesso de carbono no meio ambiente durante séculos.

O público americano continuará debatendo o que causa as mudanças climáticas; porém mais de dois terços de nós sabemos que elas são reais e que estão ocorrendo.

Então, é claro que os cientistas continuarão a prever e a modelar os resultados — e divulgar relatórios.

Sinceramente, espero que mudemos o nosso foco principal em mitigação e adaptação, porque o mundo está mudando nesse exato momento e estamos em grande parte despreparados.

Sobre a autora: Sheril Kirshenbaum é diretora do site The Energy Poll da University of Texas em Austin, onde trabalha para aumentar a compreensão pública de questões energéticas e melhorar a comunicação entre cientistas, formuladores de políticas e o público em geral. Siga-a no Twitter @Sheril_