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Rastreando Animais do Espaço

Um estudo por satélite identifica local onde tartarugas e arrastões se cruzam

Carrie Madren
©Fanny Reno/Shutterstock
Tartaruga-de-couro.
Com 900 kg e quase 2 metros de comprimento as tartarugas-de-couro são os maiores répteis vivos. Seu tamanho, porém, esconde sua fragilidade: entre as tartarugas-de-couro que vivem no oceano Pacífico as populações diminuíram em 90% nos últimos 20 anos. Biólogos já sabiam que equipamentos de pesca são um problema para as tartarugas, que podem ficar enroscadas nas redes de arrastões, mas não estavam seguros disso.

“Esses animais viajam milhares de quilômetros pelo Pacífico, então não há como rastreá-los por terra ou barcos”, explica a bióloga marinha Helen Bailey, do Centro para Ciência Ambiental da University of Maryland. Então Helen e seus colegas resolveram segui-las por satélite. Os cientistas posicionaram arreios com dispositivos rastreadores nos cascos das tartarugas, recebendo um sinal a cada vez que os animais emergiam. O estudo, publicado na edição de abril do Ecological Applications, localiza as zonas de perigo onde tartarugas e arrastões se encontram. Esses dados ajudarão as agências reguladoras a decidir os momentos e locais em que podem limitar a pesca para proteger essa espécie.

Os pesquisadores acompanharam 135 fêmeas, algumas do Pacífico leste e algumas do oeste, por mais de 15 anos enquanto elas cruzavam o oceano em busca de águas-vivas. O estudo descobriu que os padrões de migração das duas populações do Pacífico eram diferentes. As tartarugas-de-couro deixam seus ninhos na Indonésia para se alimentar no mar do Sul da China, da Indonésia, do sudeste da Austrália e ao longo da costa oeste dos Estados Unidos, o que as torna vulneráveis a redes de pesca em muitas áreas diferentes.

As tartarugas-de-couro do leste do Pacífico viajaram de seus ninhos no México e na Costa Rica para o sudeste do Pacífico – e muitas ficaram presas em redes de pesca ao longo da costa da América do Sul. Como a população oriental é mais concentrada na área, seu risco de extinção é maior, ressalta Helen.

As novas descobertas podem ajudar os encarregados de planejar o fechamento de curto prazo de pescarias. Helen relembra que uma decisão recente de proibir a pescaria de peixes-espada e tubarões-raposa na Califórnia, da metade de agosto até a metade de novembro, reduziu drasticamente as capturas colaterais de tartarugas-de-couro (em 2010, nenhuma foi capturada). O rastreamento por satélite pode ajudar a precisar o momento e a área ideais para essas proibições e a guiar os animais na costa do Oregon e de Washington. Nas Ilhas Galápagos as tartarugas-de-couro passam por um corredor migratório bem específico de fevereiro a abril, então uma proibição no momento adequado naquela área poderia reduzir as capturas em 100%.

“Suspeitávamos que as pescarias fossem o problema”, reforça Helen, “mas agora sabemos onde concentrar nossos esforços.”
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