| Wikimedia Commons / David Mcllwain / Victoria Hoke |
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Pesquisadores procuram há décadas uma forma de reparar danos à medula espinhal – lesão que pode levar à paralisia de longa duração. Mesmo a menor das rupturas nessas fibras nervosas centrais pode resultar na perda de movimentos de perna, braço e outras funções corporais. Os testes com células-tronco ainda não foram bem-sucedidos.
Estudos anteriores se concentravam em movimentos para “encorajar” o crescimento neuronal, geralmente interrompido após a maturação física. Pesquisa de 2008, com co-autoria de Zhigang He, neurologista do Hospital Infantil de Boston, teve sucesso em bloquear um gene que impede crescimento celular dos neurônios. Isso permitiria estimular os nervos danificados a começar a crescer novamente. Por esse processo, a equipe foi capaz de restabelecer a conexão do nervo óptico cortado em camundongos.
Em novo estudo, He e outros membros da mesma equipe de 2008 demonstram que o movimento voluntário pode ser restabelecido em ratos com lesões na coluna vertebral após a remoção de uma enzima comum que regula o crescimento celular neuronal. O resultado foi publicado on-line em 8 de agosto pela
Nature Neuroscience.
Quando os pesquisadores aumentaram a atividade da proteína mTOR (responsável pelo crescimento das células) , ao bloquear geneticamente seu regulador (a enzima PTEN), houve aumento tanto no crescimento de fibras nervosas intactas remanescentes como na capacidade de as fibras danificadas voltarem a se desenvolver e se reconectarem às células nervosas de áreas não danificadas.
Os pesquisadores propõem que "a competência de crescimento neuronal depende da capacidade de síntese de novas proteínas, que fornecem blocos de construção para regeneração axonal". Reativando a mTOR, o que os autores chamaram de “estratégia de rejuvenescimento”, foi possível promover a regeneração bem-sucedida após vários tipos de lesões ou traumas no SNC (sistema nervoso central) de um adulto.
Restabelecer a comunicação entre as sinapses poderá mudar a vida de milhões de pessoas, em todo o mundo, com algum tipo de lesão medular, especialmente nos casos que ocorrem na meia-idade, quando as vias de crescimento celular desses neurônios já estão encerradas. "A paralisia e a perda de função de membros devido a lesões medulares têm sido consideradas intratáveis", disse Oswald Steward, professor de anatomia e neurobiologia na University of California em Irvine, co-autor do novo estudo. "Nossa descoberta aponta o caminho para uma terapia potencial para induzir a regeneração de conexões de nervos após uma lesão na medula espinhal em seres humanos."