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Ratos paraplégicos andam e recuperam sensibilidade após tratamento com células-tronco

Animais também experimentam cura da medula espinhal

Wikimedia Commons/Nissim Benvenist
Tecido manipulado contendo células-tronco humanas permitiu que ratos paraplégicos andassem independentemente e recuperassem percepção sensorial. Os animais implantados também mostraram algum grau de cura em suas medulas espinhais. A pesquisa, publicada na revista científica Frontiers in Neuroscience, demonstra o grande potencial das células-tronco - células indiferenciadas que podem se desenvolver em vários tipos diferentes de células - para tratar lesões na medula espinhal.

Lesões na medula espinhal frequentemente levam a paraplegia. Conseguir uma recuperação substancial depois de uma lesão - ou transecção - completa é, até agora, um desafio não cumprido.

Liderados por Shulamit Levenberg, do Technion - Instituto de Tecnologia de Israel, os pesquisadores implantaram células-tronco humanas em ratos com uma transecção completa da medula espinhal. As células-tronco, as quais derivaram do revestimento da membrana da boca, foram induzidas a se diferenciarem em células de suporte que secretam fatores do crescimento e sobrevivência neurais.

O trabalho envolveu mais do que simplesmente inserir células-tronco em vários intervalos ao longo da medula espinhal. A equipe de pesquisa também construiu um suporte tridimensional que forneceu um ambiente no qual as células-tronco pudessem se conectar, crescer e se diferenciar em células de suporte. Esse tecido manipulado também foi semeado com trombina e fibrinogênio humanos, que servem para estabilizar e sustentar os neurônios na medula espinhal do rato.

Os ratos tratados com o tecido manipulado contendo células-tronco mostraram uma maior recuperação motora e sensorial, em comparação aos animais de controle. Três semanas após a introdução das células-tronco, 42% dos ratos paraplégicos implantados mostraram uma habilidade marcadamente melhorada para carregar peso em seus membros traseiros e andar. Setenta e cinco por cento dos animais tratados também responderam a estímulos grosseiros em seus membros inferiores e em suas caudas.

Em contrapartida, os ratos paraplégicos de controle os quais não receberam células-tronco não mostraram melhora na mobilidade ou nas respostas sensoriais.

Além disso, as lesões na medula espinhal dos ratos tratados diminuíram até certo ponto. Isso indica que suas medulas estavam se curando.

Embora os resultados sejam promissores, a técnica não funcionou para todos os ratos implantados. Uma importante área para pesquisas futuras será determinar por que a implantação de células-tronco funcionou em alguns casos, mas não em outros. Como observa a equipe de pesquisa, “isso exige mais investigações para esclarecer os mecanismos sob a recuperação observada, para permitir uma melhor eficácia e definir a intervenção ideal para o tratamento de lesões na medula espinhal.”

Mesmo que o estudo por si só não solucione o desafio de fornecer tratamentos médicos para lesões de medula espinhal em humanos, ele, no entanto, aponta o caminho para essa solução. Como diz Levenberg, “embora ainda haja alguma jornada a percorrer antes da técnica poder ser aplicada em humanos, essa pesquisa dá esperança”.

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