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Reduzir riscos do uso de antibióticos é simples

Estudo mostra que basta atualizar os médicos e monitorar prescrições para diminuir radicalmente o uso inadequado do medicamento. 

Katherine Harmon
©Dr.OGA/shutterstock
Os antibióticos foram uma benção para a medicina pediátrica moderna – transformando muitas doenças infantis anteriormente fatais em meras inconveniências. Mas esses tratamentos revolucionários não são um curam tudo. Na verdade, muitas doenças pediátricas comuns, incluindo muitas infecções respiratórias e de ouvido, não respondem a antibióticos.

Receitar esses medicamentos em demasia – especialmente antibióticos de amplo espectro – não é apenas caro: também pode contribuir para a crescente e desconcertante tendência de resistência a antibióticos, além do risco que representam de eventuais reações adversas a esses medicamentos.

Um novo estudo, porém, mostra que um simples programa educacional para pediatras pode reduzir pela metade o número de receitas inadequadas de antibióticos.

Um total de 174 clínicos, de 18 áreas diferentes, foi aleatoriamente distribuído em grupo de controle, que foi informado a respeito do estudo, e um grupo de intervenção. O grupo de intervenção recebeu uma breve sessão educativa sobre as atuais diretrizes para receitas pediátricas, além de um relato trimestral de suas estatísticas individuais de receitas.

O programa educativo se concentrou em pneumonia, sinusite e inflamações de garganta – infecções respiratórias que geralmente não requerem antibióticos de amplo espectro, mas que são frequentemente citadas como razão para receitá-los. O estudo durou um ano e cobriu mais de 1,4 milhão de visitas ao consultório. As receitas foram acompanhadas por meio de registros de saúde eletrônicos.

Durante os três meses que antecederam o teste, aproximadamente 28% das 185.212 crianças na população de pacientes recebeu receitas de antibióticos avaliadas como inadequadas pelos pesquisadores.

Ao final do teste, o grupo de clínicos que recebeu a informação adicional sobre suas receitas reduziu a taxa pela metade (cerca de 14%). A maior queda foi na pneumonia: inicialmente, antibióticos eram incorretamente receitados em aproximadamente 16% dos casos de pneumonia. Depois da intervenção, médicos do grupo de intervenção reduziram-nas para apenas 4%.

As receitas inapropriadas para essas três doenças respiratórias também caíram no grupo de controle durante o período do estudo, de 33% para 24%, possivelmente porque os participantes sabiam que estavam sendo incluídos em um estudo.

“O impacto no grupo de intervenção foi muito superior do que esperávamos”, declarou Jeffery Gerber, professor assistente de pediatria no Children’s Hospital da Filadélfia e colaborador do estudo. De acordo com Gerber, isso mostra que alertas simples e de atualização para os profissionais são potentes instrumentos de transformação da prática médica. Mostra também que é possível propor um sistema de relativamente simples para melhorar a prática da prescrição de medicamentos a partir do monitoramento dos registros de saúde. 
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