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22 de dezembro de 2009
Relatório alerta: ondas de calor provocarão derretimento urbano
Mudança climática aumentará as ondas de calor em cidades dos EUA, elevando riscos aos pobres e idosos, sugere novo relatório
por Ben Geman
FLIKR/WILL_HYBRID
Boston será uma das mais atingidas pelo aumento das temperaturas
O aquecimento global aumentará as ondas de calor durante os verões nos Estados Unidos, o que é muito prejudicial à população de baixa renda, minorias em áreas urbanas e idosos, de acordo com relatório apresentado por grupos ambientais e de saúde pública.

“Esse é outro motivo pelo qual temos de reduzir, ao máximo e o mais rápido possível, a poluição que causa o aquecimento global”, afirma Amanda Staudt, climatologista da Federação Nacional da Vida Selvagem, que divulgou o relatório junto aos Médicos a Favor da Responsabilidade Social - organização sem fins lucrativos.

O relatório aponta um aumento significativo do número de dias em que as temperaturas superam 37.8 C. Constata, ainda, que as áreas urbanas, cobertas de asfalto e concreto, chegam a ficar com temperaturas 10 graus mais elevadas do que as áreas rurais.

O estudo calcula que, nos Estados Unidos, mais de 3 mil e 400 pessoas morreram por exposição ao calor excessivo entre 1999 e 2003, acrescentando que, de todas as mortes relacionadas a eventos climáticos, o calor é a causa mais letal.

As ondas de calor vão piorar a poluição por ozônio, adverte o relatório, citando um documento de 2008 do Journal of Geophysical Research, que descobriu que o aquecimento global poderia aumentar os níveis de ozônio terrestre nas próximas décadas nas regiões do Nordeste e Centro-Oeste Americano.

Esse clima dificultará o cumprimento das cidades americanas ao regulamento de “8 horas de ozônio”, onde é recomendado ter, no máximo, 75 partes por bilhão do gás na atmosfera, número estabelecido pela Agencia de Proteção Ambiental (EPA).

O relatório também cita inúmeros riscos à saúde pública associados a temperaturas altíssimas. As ondas de calor podem ser fatais, por causa da insolação, e podem agravar problemas de saúde já existentes, tornando os idosos ainda mais vulneráveis quando aumentados os índices de ataques cardíacos, derrames e asma.

As crianças também enfrentam altos riscos. “O aumento da poluição do ar, que normalmente acompanha as ondas de calor, pode prejudicar as crianças, que sofrem mais riscos de sofrer de asma, pois ainda estão desenvolvendo seus pulmões e geralmente se expõem mais, pois respiram com ritmo mais acelerado do que os adultos e passam mais tempo ao ar livre.”

Peter Wilk, diretor-executivo do Médicos a Favor da Responsabilidade Social, citou a onda de calor de Chicago em 1995, que matou mais de 700 pessoas. Afirmou, via teleconferência, que situações como essa exigem rápido atendimento médico, além da necessidade de reduzir emissões de poluentes associados ao aquecimento global para restringir as ondas de calor.

“A abordagem mais vantajosa é a de tomar medidas que evitem o problema ou reduzam seu alcance futuramente”, afirma Wilk. “Diminuir as emissões de gases de efeito estufa pode ser difícil, mas é uma necessidade médica.”

O relatório aponta 30 cidades que enfrentam riscos de saúde provenientes das ondas de calor e que são agravados pelo aquecimento global, com base em quatro fatores: média de dias de “calor opressivo” no verão, índice de residências sem ar condicionado, nível de ozônio terrestre e índice de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza.

Cidades que apresentam maior risco são Boston, Houston, Phoenix, Nova York e Los Angeles.

O relatório avisa que as ondas de calor são especialmente prejudiciais aos negros, pois vivem em áreas urbanas em percentuais mais elevados do que os brancos, e também são mais suscetíveis a ter menor renda do que o restante dos americanos e sofrem mais de asma do que os brancos.

“Nossa preocupação é óbvia. Os negros são mais propensos a viverem onde as ondas de calor são mais intensas e somos mais propensos a enfrentar graves conseqüências”, constatou Todd Benjamin Jealous, CEO da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), durante entrevista hoje.

O relatório, que também adverte sobre a possível extinção de toda a vida selvagem e aos riscos às plantações, insiste na redução em 80% da emissão de poluentes até 2050, uma meta coerente com legislações climáticas que tramitam no Congresso.

O relatório exige medidas específicas para tornar as cidades “mais verdes e frias”, instalando telhados de cores claras, que refletem a luz e ajudam a reduzir o efeito da “ilha de calor urbano”, assim como mais parques, árvores e “telhados verdes”.

É recomendado também que as cidades estejam mais preparadas para as ondas de calor, melhorando o atendimento aos idosos, pobres e sem-teto.

O relatório pede avanços na gestão e restauração de hábitat da vida selvagem, ajudando a proteger as espécies do calor, sugerindo a implementação de um sombreamento de riachos pela vegetação, ajudando a manter as águas frias e a proteger os peixes.
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