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Resfriar parte do coração pode limitar danos de ataque cardíaco

Nova técnica poderia reduzir entre 20% e 30% chances de um novo ataque cardíaco ou problemas coronários

Catharina Hospital Eindhoven/Eurekaalert
Imagem témica de um coração submetido ao procedimento, a parte escura no centro é a parte resfriada
Cardiologistas do Hospital Catharina na cidade de Eindhiven obtiveram sucesso ao resfriar pela primeira vez um coração durante um ataque cardíaco. Os médicos acreditam que, ao arrefecer parte do coração antes e durante a angioplastia, o perigo de um ataque cardíaco pode ser limitado. Em 11 de janeiro, o cardiologista Lukk Otterspoor terminou seu doutorado na Universidade de Tecnologia de Eindhoven com esse estudo.

O procedimento inovador foi co-desenvolvido por cientistas da Universidade de Eindhoven e pela empresa LifeTec Group, uma companhia que surgiu a partir da faculdade.

Comparação: uma colisão esportiva

"Nós demonstramos em 10 pacientes que é tecnicamente possível resfriar parte do coração de forma segura durante um ataque cardíaco", diz o cardiologista/intensivista Lukk Otterspoor. "É possível comparar a técnica ao resfriamento de um joelho após uma colisão esportiva, por exemplo, onde a ação inflamatória ocorre e o joelho incha. Para evitar esse inchaço, os músculos têm que ser resfriados imediatamente. Agora estamos aplicando esse mesmo conceito ao músculo cardíaco, resfriando a parte do coração que é afetada por uma artéria coronária entupida e comprimida. Dessa forma, há menos danos para o músculo coronário depois que se desentope a artéria. Nós acreditamos que isso pode reduzir as chances de um ataque cardíaco ou problemas coronários em 20 a 30 porcento.”

Danos advindos da Angioplastia

Para pacientes que sofreram ataques cardíacos agudos, há o risco que algum tecido muscular do coração morra. Logo, durante o procedimento da Angioplastia, a artéria coronária entupida é desobstruída o mais rápido possível. No entanto, a partir do momento que o sangue começa a correr de novo sempre ocorrem danos para o músculo coronário. As células desse músculo incham e essa pressão faz com que os capilares se fechem. O resultado é um dano irreversível. De acordo com Otterspoor: "esse dano, ou prejuízo de reperfusão (dificuldade do retorno do sangue a todos os órgãos) é o que queremos evitar com esse novo método. Foi demonstrado internacionalmente em animais que o resfriamento funciona, mas até agora não foi possível localizar onde deve ser o resfriamento do coração humano".

Os cardiologistas esfriam o coração até 4 ou 5 graus injetando um fluido no fim da artéria coronária. A parte afetada do coração então se resfria por dez minutos, enquanto a artéria é aberta com um pequeno balão que faz com que o sangue volte a fluir para aquela região. "Depois disso, resfriamos o coração de novo e colocamos um stent na constrição" diz Otterspoor.

Seguro e viável

Os dez pacientes que foram submetidos ao novo tratamento mostraram que o método é seguro, bem como tecnicamente viável. Durante o resfriamento, a artéria entupida é fechada por 10 minutos a mais. "Os pacientes sentem a pressão no peito por 10 minutos a mais, mas isso vale a pena devido aos benefícios para a saúde a longo prazo". Os cardiologistas imaginam que esse novo método vai impulsionar as chances de sobrevivência dos pacientes que sofreram um infarto, e que ele correrão menos riscos de um segundo ataque durante sua vida (o que é importante visto que pacientes que já sofreram um infarto têm mais chances de serem reincidentes).

Acompanhamento Europeu

O centro vascular e coronário Catharina agora está realizando um enorme estudo de acompanhamento para testar a efetividade desse método e examinar os benefícios para a saúde dos pacientes que experimentaram o congelamento local do coração. Esse experimento está sendo realizado em seis grandes centros europeus especializados no coração. Além do hospital Catharina, os outros centros são: Aalst (Bélgica), Glasgow (Grã- Bretanha), Copenhagem (Dinamarca), Orebro(Suécia) e Budapeste (Hungria). 100 pacientes receberão esse novo método de tratamento nesses centros. Uma triagem de controle vai comparar esse grupo com 100 outros pacientes que receberam a antiga e tradicional angioplastia. "Nós esperamos ter dados sobre o benefício da nova técnica em três anos", diz Otterspoor.

Universidade de Tecnologia Eindhoven 
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