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Robô feito de polímero especial se dobra em 4 minutos

A partir de uma folha plana, o robô usa calor para assumir sua forma final

S. Felton/Nature magazine
Robô começa como folha plana e usa calor para assumir sua forma final.

 
Por Anna Simmonds e Revista Nature

Usando técnicas inspiradas na arte do origami, uma equipe americana construiu um robô que pode se tranformar a partir de uma folha plana. Os resultados foram descritos na Science, em 8 de agosto.

O robô começa como uma folha de polímero – o mesmo usado em brinquedos Shrinky Dink, que encolhem quando aquecidos no forno – com componentes eletrônicos e motores afixados ao lado de cima. A folha é cortada de modo que possa se dobrar para formar a estrutura desejada.

O processo não requer intervenção humana – a folha contém articulações com aquecedores que as fazem se dobrar. Um computador, também afixado ao polímero, faz com que as articulações se dobrem em uma ordem pré-determinada. O robô precisa de aproximadamente quatro minutos para atingir sua forma final, depois disso os motores entram em ação e ele começa a andar.

A capacidade de se montar sozinho torna o robô particularmente adequado para uso em espaços confinados ou perigosos, como em missões de busca e resgate em prédios colapsados, explica Robert Wood, autor sênior do trabalho, que estuda robôs de inspiração biológica na Harvard University em Cambridge, Massachusetts.

“O conceito de um robô auto-dobrável é intrigante”, comenta Jacques Penders, engenheiro que dirige o Centro de Automação e Pesquisa Robótica na Sheffield Hallam University, no Reino Unido. “No entanto – como o vídeo nos mostra – controlar o robô será um grande desafio antes de pensarmos em aplicações reais”. (O protótipo atual, presente no vídeo, anda de maneira relativamente desajeitada).

Daniela Rus, diretora do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, e coautora do artigo, declara que os métodos de sua equipe poderiam tornar robôs mais acessíveis e simples de produzir, e assim “democratizar o acesso aos robôs”.

“Nosso maior sonho é tornar a fabricação de robôs rápida e acessível”, declara Rus.

Os autores informam ter gastado US$11 mil com o projeto mas, agora que tudo já está pronto, eles calculam que esses robôs custariam cerca de US$100 cada um se produzidos em pequenas quantidades (US$20 para a estrutura, e US$80 para o motor e as baterias).

Mas os pesquisadores não estão planejando desenvolver essa tecnologia para o mercado. De acordo com Rus, o objetivo da equipe era demonstrar a viabilidade da ideia. Sam Felton, engenheiro mecânico de Harvard e coautor do estudo, declara que ele e seus colegas estão em um laboratório acadêmico, e que por isso querem trabalhar “nos problemas mais interessantes e desafiadores, e não necessariamente nos mais práticos”.

Veja aqui o robô em movimento.

Este artigo foi reproduzido com permissão e foi publicado pela primeira vez em 7 de agosto de 2014.