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Robôs Baratos

Androides e drones terão em breve preços mais acessíveis

 

Cortesia WowWee
OutRunner

Mordomos e sentinelas robóticos de fantasias de ficção científica já perambulam por nosso planeta, mas ainda são caros. O destino da maioria dos pretensos robôs domiciliares se divide em uma de duas possibilidades: androides como o assistente bípede Asimo, da Honda, só existem como protótipos de demonstração de laboratórios de pesquisa e desenvolvimento multimilionários. Robôs que consumidores poderiam comprar, como o de companhia Pepper, de US$ 1.600, são inacessíveis para a maioria das pessoas. A fabricante de brinquedos WowWee pretende mudar tudo isso ao lançar o primeiro robô multifuncional de serviços domésticos a um preço inferior a US$ 600. O Switchbot, autônomo e capaz de se orientar por conta própria, é um misto de “faz-tudo” com agente de segurança. Ele chegará às lojas em 2016.

O sucesso da WowWee, com sede em Hong Kong, deriva de sua iniciativa de dar vida a projetos de pesquisa universitários que, de outra forma, mofariam, abandonados, no estágio de protótipos. Um acordo de licenciamento com os Laboratórios Flow Control and Coordinated Robotics, da Universidade da Califórnia em San Diego, por exemplo, proporciona à WowWee acesso a patentes e aos laboratórios, uma saudável injeção de dinheiro. A colaboração já rendeu vários robôs de brinquedo que balançam como Segways, dispositivos de duas rodas para transporte pessoal que funcionam com o autoequilíbrio do condutor. Mais recentemente, o laboratório de aviônica na Universidade Concordia, em Montreal, Canadá, começou a trabalhar com a empresa para aperfeiçoar algoritmos de voo para drone de quatro rotores. Agora, Davin Sufer, diretor-executivo de tecnologia da WowWee, está de olho no Instituto de Tecnologia da Geórgia e seu trabalho com “comportamento de enxames”, que permitiria que um grupo de robôs funcionasse em tandem ou em conjunto.

No caso do Switchbot, a WowWee adaptou um sistema de locomoção desenvolvido em parte pelo ex-aluno da Universidade da Califórnia em San Diego, Nick Morozovsky. O autômato se move sobre “pernas” iguais a esteiras de tanques, que podem ficar na horizontal para navegar por terrenos irregulares, ou na vertical, para ele ficar de pé e caminhar completamente ereto. Morozovsky construiu seu protótipo com peças prontamente disponíveis no comércio, inclusive um conjunto de motores de US$ 50. Os motores foram uma espécie de um compromisso “toma lá, dá cá”: cada um tinha o tamanho e o torque que ele queria, mas não a velocidade. Nos últimos anos, Morozovsky trabalhou com a WowWee para personalizar um motor com os parâmetros exatos necessários e assim reduzir o custo final da peça para a casa de um dígito.

Esse vaivém produz componentes de baixo custo, que podem ser produzidos em massa, o que significa que a robótica de nível universitário poderia se tornar disponível para pessoas comuns. “Uma das razões por que entrei em engenharia mecânica foi para poder criar coisas reais que tenham impacto direto”, explica Morozovsky. “Eu não esperava que isso acontecesse necessariamente no processo de pós-graduação.”

Pesquisas acadêmicas que se traduzem diretamente em eletrônicos de consumo são raras, especialmente considerando a rapidez com que a WowWee consegue começar a produzir novos produtos, observa Fred Reinhart, presidente da Associação de Gestores de Tecnologia Universitária, que promove a transferência de propriedade intelectual de universidades para empresas. Mas a WowWee tem de inovar rapidamente, porque fabricantes de brinquedos precisam de novidades todos os anos. Ao contrário de um laboratório, “não existe o luxo de poder desenvolver a tecnologia só para ver aonde ela nos levará”, salienta Sufer. “Essa pressão faz acontecerem coisas legais.”

Veja também outras iniciativas da empresa que tornam reais robôs concebidos em laboratório:

MiP (mobile inverted pendulum, ou pêndulo móvel invertido): Primeiro produto da colaboração da Wow-Wee com a U.C.S.D., o sistema de autoequilíbrio do MiP (inclusive sensores, rádios sem fio, motores e processadores) teve de ser “reinventados para reduzir significativamente o custo de matérias-primas”.

OutRunner O land-cruiser de rodas pontiagudas, baseado em um projeto Kickstarter (a maior plataforma de financiamento coletivo do mundo para projetos criativos) não financiado de cientistas do antigo Instituto para Cognição de Humanos e Máquinas, consegue atingir velocidades de até 31 km/h. A WowWee está trabalhando com a equipe para reduzir o preço de etiqueta do sistema do protótipo de US$ 500 para menos de US$ 200, principalmente ao procurar fornecedores de motores menores, mais eficientes.

Switchbot O projeto de pesquisa da Universidade da Califórnia em San Diego, que levou à criação do Switchbot, era cerca de duas vezes o tamanho do produto final, de 61 cm, e custou quase US$ 1.800 em peças para ser construído. Para reduzir o preço substancialmente, a WowWee está trabalhando diretamente com fornecedores e pesquisadores para aperfeiçoar novos motores e sensores de equilíbrio.

Intellicopter A WowWee tem prestado atenção às deficiências de quadricópteros, ou helicópteros quadrotores, de controle remoto. Por essa razão a empresa trabalha com pesquisadores da Universidade Concordia para criar algoritmos de controle de voo a fim de ajudar a treinar melhor novos pilotos.



 

Corinne Iozzio