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Acesso aberto aos documentos de Russel Wallace, coautor da teoria da evolução

Arquivo permite que o naturalista do século 19 saia da sombra de Darwin 

James Poskett e revista Nature
Natural History Museum
Este retrato de Alfred Russel Wallace (1823-1913) foi pintado em 1923 por J. W. Beaufort. O Museu de História Natural, em Londres, retirou-o da armazenagem e apresentou-o em 24 de janeiro para celebrar o 100º aniversário da morte do grande naturalista. 
Charles Darwin e Alfred Russel Wallace recebem o crédito pela codescoberta da evolução por seleção natural no início de 1858. Mas em uma manhã do verão de 1852, quando Wallace tinha acabado de tomar seu café da manhã, a evolução quase virou fumaça.

Wallace estava em um navio no meio do Oceano Atlântico, relaxando em sua cabine, quando o capitão entrou no aposento e anunciou, talvez com calma demais: “Receio que o navio esteja em chamas. Venha ver o que o senhor acha”. 

Dentro de poucas horas, a embarcação estava tombada de lado, tomada pelas chamas. Sentado em um pequeno barco salva-vidas, a 1100 quilômetros da terra com suprimentos mínimos, Wallace quase foi vítima do mesmo processo que ele mais tarde descobriria – o que hoje chamamos de sobrevivência do mais apto.

Felizmente, após dez dias, Wallace foi resgatado pelo Jordeson, um brigue - tipo de navio a vela - viajando entre as Índias Ocidentais e Londres. Ao chegar em casa, ele transbordava de alegria e escreveu a um amigo: “Oh! Dia glorioso! … bifes e torta de ameixa, um paraíso para pecadores famintos”. 

O episódio é apenas um de muitos a emergirem das Wallace Letters Online, lançadas em 24 de janeiro no website do Museu de História Natural em Londres. Esse é um projeto financiado pela Fundação Andrew W. Mellon, com sede na cidade de Nova York para rastrear e digitalizar a correspondência de Wallace.

Até agora a base de dados aberta contém quase quatro mil cartas enviadas de, e para, o famoso naturalista, cerca de 95% de sua correspondência sobrevivente conhecida. A base de dados inclui transcrições e também imagens digitalizadas de muitas das cartas.

O lançamento dessa base de dados é parte da Wallace100, uma série de eventos celebrando a vida e o trabalho de Wallace durante o centenário de sua morte.

Darwin é tão fortemente associado à seleção natural que Wallace por vezes fica esquecido. Com o lançamento dessa base de dados, cientistas e historiadores podem compreender melhor a relação pessoal e científica entre esses dois homens. “Esta é a primeira vez que toda a correspondência de Darwin e Wallace é completamente publicada”, declara George Beccaloni, diretor do projeto.

Logo após a publicação da obra A Origem das Espécies de Darwin em 1859, o debate científico se voltou para o problema da coloração animal: será que a seleção natural poderia explicar os brilhantes pigmentos observados em tantas espécies? “Esse foi o teste de caso da nova teoria”, observa Beccaloni.

Cartas na base de dados abordam esse e outros tópicos, tão diversos quanto biogeografia, socialismo e frenologia.

Atualmente, 60% das cartas têm imagens visualizáveis e 36% têm transcrições. Nos próximos três anos, o Museu de História Natural pretende completar as transcrições, contratando dois historiadores profissionais para produzir anotações acadêmicas. “Nossa esperança é que o Wallace Letters Online leve a um renascimento da pesquisa sobre Wallace”, explica Beccaloni.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 24 de janeiro de 2013.
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