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Rússia poderá fechar Estação Espacial em 2020

Relacionamento espacial entre Nasa e Rússia está ameaçado pela crise da Ucrânia

Nasa
Políticos russos sinalizam um possível fechamento da Estação Espacial Internacional em 2020, quatro anos antes do previsto, em decorrência das sanções impostas pelos Estados Unidos. 
Por Clara Moskowitz

Tensões políticas entre Rússia e Estados Unidos chegaram oficialmente ao espaço, a única área em que os dois países sempre mantiveram relações fortes e produtivas de trabalho desde o fim da Guerra Fria.

Em resposta às sanções dos Estados Unidos sobre a anexação da Crimeia, o Primeiro Ministro adjunto da Rússia, Dmitry Rogozin, anunciou na terça-feira que seu país não permitiria que a Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) operasse depois de 2020, de acordo com relatórios. Rogozin adicionou ainda que a Rússia também deverá parar de fornecer motores para os foguetes Atlas 5, usados para lançar satélites militares americanos.

A ISS é a maior realização da parceria espacial entre Rússia e Estados Unidos – gigante de  US$100 bilhões com tamanho de um campo de futebol - com funcionamento previsto até 2024.

A estação é composta de módulos americanos e russos, além de estranhas unidades japonesas e europeias, e ainda não está claro se algum país poderia operar a instalação sem a cooperação de todos os outros.

Rogozin apontou que os maiores prejudicados são os Estados Unidos, já que eles dependem de foguetes russos para transportar astronautas até o laboratório orbital –e para trazê-los de volta. Desde a aposentadoria dos ônibus espaciais, os Estados Unidos não têm meios de transportar humanos para a órbita terrestre baixa.

O efeito dessa declaração sobre as atuais atividades espaciais conjuntas ainda não está claro. “Em parte, eu acho que isso é só pose”, declara Roger Launius, diretor associado de coleções e assuntos de curadoria do Museu Nacional Aéreo e Espacial. “Eles estão falando sobre 2020. Ainda temos muito tempo até lá”.

Por enquanto, a Nasa e a Agência Espacial Federal da Rússia (Roscosmos) estão cooperando como sempre. Na noite de terça-feira, três tripulantes da estação – um americano, um russo e um japonês –deixaram o laboratório em uma cápsula Soyuz russa e aterrissaram no Cazaquistão. “As operações continuam normalmente na ISS”, escreveu na terça-feira o porta-voz da Nasa, Allard Beutel. “Nós aindanão recebemos nenhuma notificação oficial do governo russo sobre quaisquer mudanças em nossa cooperação espacial até o momento”. 

Vale notar que as últimas afirmações da Rússia vieram de um político, e não de um oficial da Roscosmos. “No nível político, as pessoas estão começando a rosnar”, observou o especialista em política espacial, Roger Handberg, da University of Central Florida. “Mas as agências estão tentando manter tudo calmo porque sabem que ainda dependem umas das outras”.

O administrador da Nasa, Charles Bolden, está se esforçando para manter a paz, apesar das tensões cada vez maiores. “O relacionamento entre a Nasa e a Roscosmos é bom e saudável”, declarou Bolden no início de abril, de acordo com a Space News. Essa afirmação veio um dia após a Nasa anunciar que suspenderia todas as colaborações não-espaciais com a Rússia devido à situação política. Como a ISS é o ponto de conexão primário entre os dois países, as ramificações dessa decisão permanecem nebulosas.

Independentemente de quaisquer atividades orbitais sofrerem alterações com a crise diplomática, a tensão poderia acabar afastando legisladores americanos de uma maior cooperação espacial com a Rússia, ou com qualquer outro país. Os Estados Unidos já estão desenvolvendo meios próprios de transporte até a órbita terrestre baixa, na forma de veículos espaciais construídos comercialmente por empresas como a SpaceX e a Sierra Nevada Corp. “Eu acho que existe mais dinheiro do lado comercial para acelerar o desenvolvimento” desses veículos, comenta Handberg.

E por fim, a atual crise poderia determinar o legado da ISS. “Daqui a 200 anos, historiadores vão olhar para nossa era e dizer que o mais importante sobre a estação espacial foi o consórcio internacional de nações que se uniram para construí-la”, prevê Launius. “Será que devemos ver isso como o início de um século de atividades cooperativas na exploração espacial, ou será uma turbulência antes de estados-nações adotarem a filosofia de ‘vamos fazer sozinhos’ e começarem seus próprios programas espaciais?”

 SA14mai2014

sciambr19mai2014