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Sentimento de empatia sofre influência dos genes

Maior estudo genético sobre o tema revela que o gene da empatia é associado a risco maior para o autismo

flickr

Um novo estudo sugere que a empatia não é apenas resultado da nossa educação e experiência mas, também, é parcialmente influenciada por variações genéticas. A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Cambridge, do Instituto Pasteur, da Universidade Paris Diderot, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França e da Empresa Genética 23andMe, e seus resultados foram publicados hoje (12) na revista Translational Psychiatry.

A empatia possui um papel chave nas relações humanas. Ela se divide em duas partes: a habilidade de reconhecer os pensamentos e sentimentos de outra pessoa, e a habilidade de responder a isso com uma emoção apropriada. A primeira parte é chamada de empatia cognitiva, e a segunda, empatia afetiva.

Há 15 anos, uma equipe de cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveu o Quociente de Empatia, ou EQ, um breve autorrelatório que mede a empatia. Ao utilizar esse teste, que mensura ambos os tipos de empatia, os cientistas puderam demonstrar que alguns de nós possuem mais empatia do que outros, e que as mulheres em geral possuem um pouco mais de empatia do que os homens. Ele também mostrou que, na média, as pessoas autistas têm mais dificuldades com a empatia cognitiva, mesmo que sua empatia afetiva possa estar intacta.

Os pesquisadores das diversas instituições estão relatando os resultados do maior estudo genético já feito sobre empatia e que usou informação de mais de 46.000 clientes da 23andMe. Essas pessoas completaram um EQ online e forneceram uma amostra de sua saliva para análise genética.

Os resultados desse estudo, liderado por Vurun Warrier (Universidade de Cambridge), Simon Baron-Cohen (Universidade de Cambridge), Thomas Bourgeron (Universidade Paris Diderot, e Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e David Hinds  ( 23andMe), primeiro revelaram que a nossa empatia se deve, em parte, à genética. De fato, pelo menos um décimo dessa variação é associada a fatores genéticos.

As descobertas também confirmam que as mulheres possuem, em média, mais empatia do que os homens. No entanto, a variação entre os sexos não provêm do DNA,já que nenhuma diferença específica entre homens e mulheres em relação a empatia foi observada em seus genes. Isso sugere que a diferença é causada por outros fatores, como a socialização, ou fatores biológico não genéticos, como as influências dos hormônios pré-natais, que são diferentes de acordo com o sexo do bebê.

Por fim, os cientistas observaram que as variantes genéticas associadas a baixos níveis de empatia também estão associadas a um risco maior para o autismo.

"Esse é um importante passo em direção ao entendimento do papel que a genética tem na empatia. Mas já que a variação da porcentagem que se atribui a genética é de apenas 10%, é igualmente importante entender os fatores não genéticos", diz Varun Warrier.

"Esses resultados oferecem uma nova perspectiva fascinante da influência genética que sustenta a empatia”, diz Thomas Bourgeron. “Cada gene específico tem um pequeno papel, por isso é difícil identificá-los. O próximo passo é estudar um número ainda maior de pessoas, para replicar essas descobertas e identificar os caminhos biológicos associados a diferenças individuais para a empatia."

Para Simon Baron-Cohen, "descobrir que mesmo uma fração das diferenças que temos, no que tange à empatia, se deve à genética, nos ajuda a entender pessoas como os autistas, que têm dificuldades de imaginar os pensamentos e sentimentos dos outros. Essa dificuldade de ter empatia pode aumentar até se tornar uma incapacidade, que não é menos desafiadora do que outras formas de inaptidão. Enquanto sociedade, precisamos apoiar as pessoas que possuem certas inaptidões com novos métodos de aprendizado, soluções alternativas ou ajustes razoáveis, para promover a inclusão".

Instituto Pasteur

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