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Será que outro meteoro pode nos surpreender?

O potencial e as limitações dos telescópios e satélites do sistema de sentinela 

Mopic
Por John Matson

Quando um asteroide de17 metrosatravessou a atmosfera da Terra sobre a Rússia central em 15 de fevereiro lançando uma poderosa onda de choque que feriu mais de mil pessoas, muitos observadores se perguntaram como um evento tão grande pode chegar sem aviso. O fato é que o objeto que explodiu em uma bola de fogo sobre Chelyabinsk, liberando centenas de quilotons de energia, era peixe pequeno. Pode haver milhões de objetos de tamanho comparável no interior do sistema solar, apenas uma fração deles foi descoberta. Até agora as pesquisas se concentraram em rastrear matadores de dinossauros muito maiores, e outros asteroides e cometas potencialmente catastróficos – aqueles objetos com mais de um quilômetro. Assim a porta foi aberta para desagradáveis, mas em última análise suportáveis, surpresas de asteroides. 

Vários projetos novos e futuros acumularão pilhas de papel de novos dados sobre a população de asteroides próximos da Terra (NEA, em inglês), mas um catálogo completo de objetos com a escala do que atingiu Chelyabinsk permanece além de nosso horizonte tecnológico. Os asteroides são muito numerosos, e muito tênues, para serem sistematicamente rastreados. Abaixo está um resumo das melhores ferramentas que pesquisadores têm atualmente para detecção e defesa contra asteroides:

O projeto Catalina Sky Survey descobre aproximadamente 600 NEAs todos os anos a partir de telescópios no Arizona e na Austrália. Desde meados dos anos 2000, o Catalina é o principal projeto de detecção de NEAs existentes, ajudando a Nasa a atingir seu objetivo de catalogar 90% de todos os asteroides com mais de um quilômetro de diâmetro próximos da Terra. Mas seu ritmo de descoberta é lento demais para fazer frente à grande quantidade de objetos pequenos. Asteroides próximos da Terra com mais de100 metros provavelmente ficam na casa das dezenas de milhares, enquanto asteroides próximos de10 metros ou mais são contados aos milhões. 

O primeiro de quatro telescópios Pan-STARRS no Havaí foi ativado recentemente e atualmente é a segunda principal busca por NEAs em termos de objetos detectados por ano. Em 2012, seu segundo ano completo de operação, o Pan-STARRS descobriu 251 asteroides próximos da Terra, de acordo com estatísticas da Nasa. Ele deve ajudar a descobrir muitos asteroides com diâmetros de centenas de metros, mas a maior parte de objetos menores permanecerá fora de alcance.

O Grande Telescópio de Rastreamento Sinótico (LSST), que deve entrar em operação até o final da década, no Chile, será um telescópio de rastreamento com capacidade impressionante. Com 8,4 metros e equipado com uma câmera digital de 3 gigapixels, o LSST varrerá os céus em pequenos intervalos de tempo para identificar objetos em movimento ou eventos passageiros. Mas mesmo esse telescópio terá problemas em rastrear asteroides do tamanho do que atravessou a atmosfera sobre a Rússia na semana passada. Serão necessárias décadas de trabalho (à direita) para que o LSST catalogue a grande maioria de objetos maiores – com mais de140 metros – assim atingindo o próximo objetivo da Nasa para a detecção de asteroides .

Se um asteroide for detectado com anos de antecedência, os governos do mundo poderiam tomar ações corretivas – detonando, empurrando ou puxando um objeto perigoso para uma órbita mais segura. O Asteroid Terrestrial-Impact Last Alert System (ATLAS, ou Último Sistema de Alerta de Impactos Terrestres por Asteroides, em tradução aproximada) tem um objetivo muito mais simples: detectar asteroides apenas semanas antes do impacto, para alertar ou evacuar áreas ameaçadas. O ATLAS, que compreenderá vários pequenos telescópios no Havaí, está em desenvolvimento com assistência financeira da Nasa e pode entrar em operação em 2015. Seus planejadores estimam que um “destruidor de cidades” de50 metros poderia ser detectado uma semana antes do impacto. 

A Fundação sem fins lucrativos B612 recentemente revelou seus planos de construir o Telescópio Espacial Sentinel, um detector de asteroides que varreria o sistema solar interno em infravermelho a partir de uma órbita semelhante à do planeta Vênus. Se a fundação conseguir levantar os milhões de dólares necessários para construir o Sentinel, o telescópio seria lançado em 2018 e rapidamente daria um jeito nos asteroides verdadeiramente perigosos que estão lá fora. O projeto da missão Sentinel exige um telescópio capaz de catalogar 90% dos NEAs maiores que140 metros durante sua missão de 6,5 anos. De acordo com uma declaração recente da B612, o Sentinel também localizaria mais da metade dos asteroides ainda não descobertos com mais de50 metros.

Com recursos limitados, localizadores de asteroides naturalmente se concentram nas rochas maiores, que poderiam provocar grandes catástrofes. Mas chegadas menores e mais frequentes a nosso planeta provavelmente permanecerão imprevisíveis no futuro próximo. O lado positivo é que nenhuma morte foi relatada como resultado do incidente de Chelyabinsk, e as chances do próximo meteoro significativo explodir sobre uma área tão populosa são baixas. 

E, felizmente, espera-se que impactos como o do meteoro de Chelyabinsk só ocorram uma vez por século. Então talvez a humanidade já tenha descoberto técnicas melhores de localização e rastreio quando o próximo vier em nossa direção.