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Smartphones sob controle de professores

Estojos especiais são testados para impedir distração na sala de aula 

Larry Greenemeier
Megan Geuss
Pouco se discute que o uso cada vez maior de smartphones entre alunos de escolas tenha criado um conjunto completamente novo de desafios para educadores que procuram manter suas classes concentradas no aprendizado. Os mesmos dispositivos móveis que podem ser usados como ferramentas de instrução e pesquisa também podem servir como distração ou fonte de conflito quando confiscados.

Inicialmente, muitas escolas dos Estados Unidos reagiram ao uso de telefones celulares por parte de estudantes ao banir os dispositivos das salas de aula, citando preocupações de que eles poderiam ser usados para ajudar alunos a “colar” em provas, além de praticar cyber bulling e sexting. Mais recentemente, as coisas começaram a mudar quando algumas escolas adotaram o uso de telefones móveis como leitores eletrônicos e maneiras convenientes de alunos se conectarem à Internet. O Departamento de Educação da Cidade de Nova York, por exemplo, cancelou sua proibição de nove anos sobre o uso de telefones celulares em escolas públicas.

Uma escola de Portland, no Oregon, está testando uma abordagem que espera minimizar distrações digitais durante a aula sem alienar alunos que têm vidas sociais e identidades entrelaçadas a seus dispositivos. A solução proposta na Sunnyside Environmental School: professores e alunos inserem seus telefones em uma bolsa com trava, que carregam consigo durante o dia. O mecanismo de destravamento fica a cargo dos professores. No fim do período escolar, o professor destrava as bolsas e todos continuam com suas vidas digitais. Dessa forma, eles ficam incapacitados de compulsivamente verificar seus emails, enviar mensagens de texto ou tirar fotos, a menos que o professor dê permissão.

A start-up Yondr, com sede em San Francisco, introduziu as bolsas no ano passado para organizadores de eventos musicais que tentavam fazer indivíduos se desconectarem durante apresentações ao vivo. Cada participante do evento recebe um estojo elástico de neoprene da Yondr, que se fecha com um selo magnético. O estojo só pode ser aberto se algum funcionário do local ativar um dispositivo especial que emite um sinal sem fio para a trava. “A etiqueta e as normas sociais tendem a ser esquecidas no uso de novas tecnologias”, explica Graham Dugoni, fundador da Yondr. Em vez de tentar censurar pessoas por estarem obcecadas com seus dispositivos, o objetivo da Yondr é ajudá-las a observar melhores normas de comportamento, adiciona ele.

O coordenador de sustentabilidade de Sunnyside, Vinnie Miller, viu o potencial da tecnologia da Yondr nos ensinos fundamental e médio de sua escola, que tem um currículo ambiental e aproximadamente 600 alunos matriculados. “Nós queremos mostrar aos alunos que pode haver uma diferença na maneira de interagem uns com os outros e com seus professores quando todos estiverem presentes e engajados em uma aula específica”, explica Miller, que também é aluno de graduação e estuda serviço social na Portland State University. Miller também queria expor os alunos à própria Yondr, uma start-up que poderia trazer lições sobre empreendedorismo.  

Até agora, cerca de 150 anos do ensino médio testaram as bolsas da Yondr durante um dia escolar. Esse dia começa com uma discussão sobre os esforços de Dugoni para ajudar pessoas a se desconectarem de seus dispositivos móveis e de como ele transformou esse conceito em uma empresa. “Eles estão testando uma ideia nova e trazendo feedback sobre ela ao mesmo tempo”, declara Miller. As crianças que não querem usar a tecnologia normalmente afirmam que seus dispositivos não vão distraí-los, não cabem nas bolsas da Yondr, ou que deixaram seus telefones em casa naquele dia, adiciona Miller.

Uma vez que o experimento é explicado, os alunos e seu professor inserem seus telefones em estojos da Yondr que carregam consigo o dia todo. Alunos envolvidos no experimento tendem a ficar hesitantes para admitir que a experiência foi melhor para eles, ainda que alguns confessem que a bolsa da Yondr tenha ajudado a esquecer sobre o telefone durante algum tempo, declara Miller. Os alunos também apreciam o fato de a escola não estar confiscando seus telefones para ensinar uma lição específica, adiciona ele.

A Sunnyside instituiu uma estrita política de telefones móveis há cerca de dois anos, após um grupo de alunos criar uma página no Instagram onde postavam piadas e apontavam os defeitos de outros alunos, conta Miller. “Foi então que os professores se reuniram e decidiram se tornar mais firmes com a política de telefones celulares”. A atual política é direta: alunos não podem usar esses dispositivos durante o período letivo a menos que professores peçam especificamente que sejam usados como calculadoras ou ferramentas de pesquisa online. Se um aluno precisar fazer uma chamada telefônica, deve ir à secretaria da escola ou notificar um professor. Alunos ainda trocam fotos e mensagens digitais para desafiar as regras, reconhece Miller.

Caberá aos professores de Sunnyside decidir se querem adotar a tecnologia da Yondr. Enquanto isso, pelo menos estão realizando experimentos com uma abordagem que oferece uma espécie de compromisso entre o uso irrestrito de telefones celulares e uma proibição direta. 

Publicado por Scientific American em 8 de maio de 2015.