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Sonda detecta possíveis sinais de gelo em cometa

A nave espacial Rosetta, que atualmente orbita o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, fotografou pontos brilhantes e reflexivos que poderiam ser água congelada

Elizabeth Howell SPACE.com

Um novo estudo, baseado em observações feitas pela sonda espacial europeia Rosetta, sugere que há muitas manchas de gelo de água espalhadas pela superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

A nave detectou ao todo 120 áreas brilhantes e reflexivas que têm, no mínimo, 1,8 metro de diâmetro.

Sua composição ainda está sendo examinada, mas cientistas notaram que os pontos tendem a aparecer em áreas sombreadas pelo Sol.

Os pesquisadores também salientam que não houve mudanças significativas nas manchas após um mês de observações.

“Gelo de água é a explicação mais plausível para a ocorrência e as propriedades dessas manchas brilhantes”, sugeriu Antoine Pommerol, físico da Universidade de Berna, na Suíça, em um comunicado. [Fotos: Missão da Sonda Europeia Rosetta ao Cometa em Imagens] 

“No momento de nossas observações, o cometa estava suficientemente longe do Sol para que a taxa a que gelo de água sublimaria [passasse do estado sólido a gasoso] fosse inferior a um milímetro por hora de energia solar incidente”, explicou Pommerol, autor principal de um estudo que analisa os pontos reflexivos.

“Comparativamente, se gelo de dióxido ou monóxido de carbono fosse exposto, ele teria sublimado rapidamente quando iluminado pela mesma quantidade de luz solar. Portanto, não seria de se esperar ver esse tipo de gelo estável na superfície na ocasião”.

Os pontos são até 10 vezes mais brilhantes que a luminosidade média da superfície do cometa, conforme as medições feitas pela sonda pela Rosetta.

Às vezes, eles aparecem juntos, especialmente quando estão localizados na base de penhascos (ou falésias). 

A equipe de pesquisa especula que isso talvez resulte de uma recente erosão ou colapso do paredão rochoso que então expôs, ou revelou material abaixo da superfície empoeirada.

Em outros locais, pontos brilhantes foram observados sozinhos.

Cientistas acreditam que esses casos isolados representam objetos que se desprenderam da superfície quando o movimento do cometa estava mais acelerado.
Imagens de seis manchas diferentes na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko que mostram áreas brilhantes do que cientistas especulam poderia ser gelo de água. A inserção no meio mostra a região geral em que cada imagem foi captada.
No entanto, esses objetos não se moviam suficientemente rápido para escapar completamente da atração gravitacional do bólido.

Cometas são conhecidos por serem ricos em gelo com base em observações das trilhas que deixam para trás.

Quando se aproximam do Sol, o calor da estrela aquece suas superfícies e faz com que o gelo derreta. Esse processo também libera poeira aglutinada perto do gelo. 

Mas nem toda a poeira escapa e isso deixa as superfícies de cometas muito escuras à medida que as partículas precipitam e se assentam novamente na superfície; ou então quando elas nem deixam o corpo celeste para início de conversa.

Não está claro quando as manchas de gelo se formaram, mas os pesquisadores têm duas hipóteses.

A primeira sugere que, quando o 67P estava em seu ponto mais próximo do Sol (periélio), há 6,5 anos, atividades cometárias empurraram os pedaços de gelo para regiões sombreadas e os protegeram da estrela.

Alternativamente, talvez monóxido e dióxido de carbono abaixo da superfície empurrassem o gelo ao redor enquanto o cometa estava mais distante do Sol.

A equipe também realizou alguns testes em laboratório para verificar o que acontece quando gelo de água é combinado com outros minerais. 

Os cientistas descobriram que, quando esse gelo é exposto a uma iluminação solar simulada, cria-se uma camada de poeira de alguns milímetros de espessura.

Essa fina camada poderia ser suficiente para obscurecer o gelo abaixo em cometas. Mas se um pedaço de poeira maior fosse empurrado de lado por atividade cometária, isso revelaria o gelo abaixo.

Os resultados das observações foram divulgados na publicação científica Astronomy & Astrophysics e se basearam em imagens captadas pela câmera de ângulo estreito do instrumento chamado Optical, Spectroscopic and Infrared Remote Imaging System (OSIRIS) da sonda em setembro de 2014, um mês depois que a Rosetta chegou ao cometa. 

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Publicado em Scientific American em 3 de julho de 2015.