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Sonda Philae acorda e liga para casa

A histórica sonda espacial enviou sinais para a Terra, encerrando sete meses de silêncio

ESA/Rosetta/Philae/CIVA
Por Celeste Biever, Elizabeth Gibney e revista Nature

Philae, a sonda espacial que fez história quando aterrissou em um cometa, em novembro de 2014, está acordada. A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou em 14 de junho que recebeu sinais da sonda no sábado, às 22h28 da hora local. Esses foram os primeiros sinais da sonda em mais de sete meses.

Empolgados, cientistas da missão contaram à revista Nature que a Philae provavelmente acordou há alguns dias e que eles esperam que a sonda inicie algumas atividades científicas de baixo risco nos próximos dias – supondo que ela faça contato de novo.

“A Philae está muito bem: ela está operando a uma temperatura de -35ºC e tem 24 Watts disponíveis”, anunciou o administrador de projetos da ESA, Stephan Ulamec do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, em alemão) perto de Colônia, de acordo com uma declaração da ESA. “A sonda está pronta para operações”.

A ESA anunciou que, durante 85 segundos, a Philae “conversou” com o controle terrestre da agência por meio da sonda Rosetta, que está orbitando 67P.

Quando as notícias de que a Philae havia ligado para casa se espalharam, cientistas da missão reagiram no Twitter. “Estou em lágrimas de novo... será verdade?”, escreveu Monica Grady, cientista planetária da Open University, com sede em Milton Keynes, no Reino Unido, e co-pesquisadora do analisador químico da Philae, o Ptolemy.

As notícias encerram meses de especulação sobre se a sonda, que tem o tamanho de uma máquina de lavar, algum dia recuperaria contato com a terra (veja: “Cinco fatores que decidirão se a Philae vai despertar”).

Só dormindo

As baterias da Philae acabaram em 15 de novembro, três dias após ela aterrissar no cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, seguindo uma descida perigosa. Presa na sombra, ela foi incapaz de carregar sua bateria solar e entrou em hibernação.

Desde então, cientistas se consolaram com a esperança de que a sonda não estava morta, apenas dormindo, e que ela recuperaria energia quando o cometa 67P se aproximasse do Sol.

A ESA também aponta que a Philae enviou dados históricos para casa, mostrando que a sonda estava acordada antes mas que não conseguiu contatar a ESA.

De acordo com a agência, existem dados na memória da Philae que nos ajudarão a compreender “o que aconteceu à sonda nos últimos dias”. Agora a ESA aguarda o próximo contato da sonda.

A energia disponível – 24 watts – é “uma boa quantidade”, declara Koen Geurts, membro da equipe de aterrissagem no DLR. “É mais que suficiente para se comunicar e realizar atividades científicas”, explica ele. A Philae provavelmente está acordada há vários dias do cometa, que duram 12,4 horas, mas ainda não se sabe quantos, adiciona ele.

Supondo que a conexão com a Philae seja reaberta, as primeiras operações científicas dos próximos dias serão atividades de baixo risco, declara ele, como obter imagens e ativar o instrumento ROMAP, que mensura o campo magnético do cometa.

Maravilhoso telefonema

A equipe da sonda estava ficando preocupada com a capacidade que a Rosetta tem de voar perto o bastante para ouvir a Philae, dado o aumento na atividade de poeira e gás conforme o cometa se aproxima do Sol. “Havia uma sensação geral de que se a Philae não acordasse logo, poderia ser tarde demais. Todos nós ficamos maravilhados quando recebemos a ligação naquela noite”, conta Geurts.

Atualmente, a equipe da sonda está tentando entender porque a conexão da Philae durou menos tempo do que o previsto: de uma janela de duas horas, a conexão durou apenas dois minutos. Geurts explica que isso pode se dever a incertezas na orientação da Philae, ou a sonda pode ter se movido.

A equipe encarregada do orbitador Rosetta, que transmite os sinais da Philae para a Terra, agora se concentrará em maximizar a conexão, explica Matt Taylor, cientista de projetos da ESA para a missão Rosetta. “Nós temos que atualizar nossas ideias sobre a orientação da sonda quando o orbitador passar por ela”, explica ele.

No curto prazo, o orbitador mudará sua orientação planejada para apontar diretamente para a sonda, explica ele; no longo prazo, o orbitador pode acabar mudando de trajetória para auxiliar nas comunicações. “Ainda há muitas coisas para confirmar com respeito ao estado da sonda e o que podemos aprender com ela. Mas todos estão muito empolgados”, declara ele.

As notícias do despertar da Philae vêm dias após relatos de um possível avistamento da Philae no cometa 67P. Ainda que cientistas saibam que a Philae aterrissou em novembro, eles não sabiam onde ela estava, porque o pouso foi violento e a sonda ricocheteou duas vezes.