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Superbactéria se propaga por equipamento esterilizado

Dezenas de pessoas foram infectadas em diferentes cidades americanas 

Universidade de Saskatchewan
Por Victoria Cavaliere/Agência Reuters

Uma superbactéria resistente infectou 32 pessoas ao longo de dois anos em um hospital de Seattle, no estado de Washington, apesar de os instrumentos terem sido desinfetados conforme as recomendações do fabricante.

Autoridades do órgão municipal de saúde pública e funcionários do Virginia Mason Medical Center divulgaram um relatório na última quinta-feira, 22 de janeiro, confirmando que 11 dos pacientes infectados no hospital entre 2012 e 2014 acabaram morrendo.

De acordo com o documento, essas pessoas já estavam criticamente doentes antes de serem infectadas e não estava claro que papel as bactérias desempenharam em suas mortes, nem se elas de fato tiveram qualquer relação com os óbitos.

Os pacientes foram infectados com bactérias resistentes a drogas, inclusive as raras enterobactérias (da família Enterobacteriaceae) resistentes a antibióticos da classe dos Carbapenemas.

Essas bactérias são difíceis de tratar devido aos seus altos níveis de resistência a antibióticos, explicou o doutor Jeffrey Duchin, uma alta autoridade do Serviço de Saúde Pública de Seattle e King County.

Autoridades de saúde também informaram que o relatório de Seattle se segue a incidentes similares em Pittsburgh, na Pensilvânia, em 2012, e em Chicago, Illinois, em 2014, onde endoscópios contaminados infectaram dezenas de pacientes. Nesses dois casos não houve fatalidades diretamente associadas às infecções.

De acordo com funcionários da saúde, em Seattle, os microrganismos aparentemente se propagaram de paciente a paciente através de endoscópios utilizados em tratamentos de doenças do fígado e do pâncreas.

Duchin salientou, porém, que esses tubos são empregados corriqueiramente em milhares de procedimentos todos os anos em hospitais americanos.

No Virginia Mason Medical Center os materiais foram esterilizados de acordo com as normas existentes antes de cada utilização, garantiram representantes do setor de saúde pública e do hospital.

“Isso é um problema nacional”, avaliou a instituição em um comunicado. “Determinamos que as diretrizes recomendadas pelos fabricantes de endoscópios, assim como pelo governo federal para processar os equipamentos são inadequados”.

Duchin revelou que a investigação para identificar a origem da contaminação levou muitos meses e que, desde então, o hospital instituiu um processo rigoroso de descontaminação (esterilização), que excede os padrões nacionais.

Existem três grandes fabricantes de tubos endoscópicos, ou duodenoscópios — Olympus, Fujifilm e Pentax — e suas recomendações de desinfecção foram aprovadas pelo FDA, o órgão do governo americano que regulamenta alimentos e medicamentos.

No entanto, o FDA não se manifestou sobre se estão sendo estudadas novas normas de esterilização e a Olympus, que fornece muitos dos tubos usados no hospital de Seattle, não estava prontamente disponível para comentários.

Autoridades admitiram que não se sabe ao certo quantas pessoas foram expostas à superbactéria, que pode causar infecções graves, como pneumonia, infecções da corrente sanguínea, infecções do trato urinário, e meningite.

Em geral, as infecções ocorrem em pacientes que já estão doentes.

Nem o Virginia Mason Medical Center, nem o Serviço de Saúde Pública de Seattle e King County notificaram o público sobre o surto, porque “não havia uma lógica convincente para fazer isso”, justificou Duchin.

(Reportagem por Victoria Cavaliere, Edição por Cynthia Johnston e Mohammad Zargham)

Publicado em Scientific American em 22 de janeiro de 2015.