Notícias
  
29 de janeiro de 2009
Superfluidez quântica: um condensado de pequenos ímãs
Minúsculos átomos magnéticos de cromo podem apresentar fases quânticas exóticas ao se comportar como superfluidos
 
Thierry Lahaye
Quando a interação isotrópica (esfera cinza) se torna mais fraca, mantendo a interação magnética (flecha) constante, o CBE (pico central de densidade) se torna dipolar, o que pode ser notado pela mudança de forma.
Ao contrário do senso comum de que cargas iguais se repelem, em estruturas sólidas, elétrons tendem a se unir em baixas temperaturas para conduzir eletricidade sem aquecer a estrutura, um fenômeno chamado de supercondutividade.

A supercondutividade é usada, entre outras coisas, para criar campos magnéticos intensos em aparelhos de imagem por ressonância magnética (MRI). O fenômeno envolve a condensação de um grupo de bósons ─ partículas semelhantes a elétrons emparelhados ─ que dançam juntos, sincronicamente no mesmo estado quântico. Conhecido como condensado de Bose-Einstein (CBE), esse estado muito particular da matéria não se comporta como sólidos, líquidos ou gases comuns e pode ser usado na construção de laseres atômicos e relógios atômicos mais precisos. Recentemente, um grupo de físicos liderados por Thierry Lahaye, da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, relatou na revista Nature que eles criaram um CBE com átomos de cromo que interagem como minúsculos imãs em distâncias infinitas. Ao fazer isso, os átomos podem formar estados exóticos da matéria impossíveis com as interações tradicionais ─ como sólidos que fluem melhor que líquidos e átomos que se auto-organizam em quadrados como de um tabuleiro de xadrez.

Para se manter em sincronia, os bósons precisam “sentir” uns aos outros por meio de alguma interação. Desde que os primeiros CBE foram produzidos a partir de átomos alcalinos bosônicos, como lítio, rubídio e sódio em 1995, essa interação tem sido de curto alcance ─ poucos nanômetros ─ e isotrópica: os átomos são como pequenas esferas, portanto não há um “lado certo para cima ou para baixo” para nenhum deles, e tem a mesma aparência quando vistos de qualquer direção. Mas os físicos sabiam que alguns desses átomos se comportavam como minúsculos imãs e este têm “um lado certo”, ou seja, uma polaridade. Então a antiga pergunta continuava: É possível construir um CBE com átomos que interagem como imãs minúsculos?
1 2 »
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!