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23 de abril de 2008
Terremoto abala cidade de São Paulo
por Aziz Nacib Ab`Sáber
Enquanto estávamos tecendo considerações sobre as razões que explicam a incidência bissexta de mini-terremotos no Planalto Paulistano (Bacia de São Paulo), temos novos acontecimentos: mini-tremores aconteceram em diversas partes do Brasil e, por fim, de novo em São Paulo. A seqüência dos sismos que repercutiram em diversos lugares do país envolveu em 2007 a região de Caraíbas, em Minas Gerais (cidade de Itacarambi).

Depois, a região de São Paulo, envolvendo tremores que provinham de um distante epicentro, situado ao norte do Chile. Em seguida, tremores em Manaus, em pleno centro-ocidental da Bacia Amazônica, tendo por epicentro uma área do distante Caribe.

E, agora, no dia 22 de abril, às nove horas e cinco minutos da noite, o terremoto que afetou a maior parte da Bacia de São Paulo, atemorizando a população paulistana e reconhecido como uma projeção de um epicentro projetado a partir de um embasamento profundo da Bacia de Santos. [Infelizmente, não temos notícias adequadas sobre o terremoto que afetou o setor noroeste de Mato Grosso na borda da Bacia do Pantanal].

Os acontecimentos nos obrigam a pensar que a região de São Paulo, onde uma tectônica dos fins do Terciário, que respondeu pela criação da bacia sedimentar fluvio-lacustre regional, pôde ser ponto de irradiação sísmica de epicentros opósitos capazes de repercutir. Dizem os especialistas que as vibrações ocorridas em fevereiro de 2008, em São Paulo, atingiram 3,9 pontos na escala Richter. E que, as mais recentes (22 de abril de 2008) atingiram 5,2 pontos na mesma escala.

É fantástico que tremores provindos de núcleos tectônicos situados abaixo de águas profundas tenham se projetado por setores da fachada tropical-atlântica do Sudeste brasileiro, até São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, em plena placa Sul-americana. .

Convém relembrar a arquitetos, urbanistas e prefeitos que se deve moderar a altura de elevados edifícios, tanto no litoral quanto nas colinas de bacias semelhantes à de São Paulo e de Curitiba. Todos necessitam conhecer um pouco mais sobre as condições geotectônicas desses compartimentos de planalto, que refletem prioritariamente vibrações sísmicas de diferentes epicentros. Tremores, trovões e ventos amedrontam os moradores de edifícios altos. Chegou a hora de ter maior seriedade na construção de altos espigões e prever os impactos possíveis de diferentes tremores, estacionais eventuais. Atenção, prefeitos da Grande São Paulo!
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Aziz Nacib Ab`Sáber é professor emérito da FFLCH/USP e professor honorário do Instituto de Estudos Avançados/USP.
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