 |
© ORMUZD ALVES/Folha Imagem |
 |
| AVENIDA PAULISTA: edifícios do cartão-postal de São Paulo sofreram tremores. |
 |
[continuação]
Terremoto nos Andes afeta arranha-céus da cidade de São Paulo
As repercussões do forte terremoto acontecido nos Andes chilenos, em 14 de novembro – às 11h47 no horário de Brasília – exigem algumas observações mais aprofundadas, sobretudo para entender por que um tremor de terra, de epicentro tão distante, teve conseqüências em alguns grupos de edifícios elevados na cidade de São Paulo. Há anos tínhamos receio de que isso pudesse ocorrer em relação à cidade localizada em uma bacia sedimentar gerada em uma área geotectônica afetada por falhamentos geomorfologicamente contrários nos fins da era terciária (Plioceno). A nosso ver, conhecer o embasamento de uma bacia sedimentar originada por tais processos tectônicos, em um compartimento do Planalto Atlântico paulista, é a condição prévia fundamental para entender as razões dos minitremores que aqui acontecem.
Para quem vive em São Paulo há muitos anos é possível diferenciar os diversos tipos de tremores que acontecem na cidade. Nas áreas onde o construtivismo especulativo resultou em edifícios estreitos e altos, ocorrem vibrações freqüentes do tipo chamado fl ambagens. Este processo pode afetar os andares mais elevados dos prédios estreitos e altos, sobretudo nos momentos de ventanias mais fortes. Outros tipos de estremecimentos, dispersos e corrigíveis, são aqueles que afetam determinados setores de rua. A correção ou melhoria caso a caso depende sempre da prefeitura. Muito pior que esses estremecimentos corrigíveis foi o lamentável caso de explosões subter râneas subsuperficiais feitas por empresas construtoras de linhas do metrô. Por questão de economia e comodidade, algumas empresas autorizaram explosões fortíssimas para atravessar protuberâncias de rochas duras encontradas no eixo dos túneis. Somente quem ouviu as explosões e sentiu suas conseqüências pode avaliar a magnitude delas.
Mais recentemente tremores pontuais passaram a depender da passagem rasante de helicópteros sobre moradias de diferentes tipos, na periferia da cidade. Isso porque foram instalados heliportos em áreas de terrenos baratos, para o acesso mais cômodo de empresários e proprietários às suas fábricas e empresas localizadas em pontos distantes na periferia metropolitana. As autoridades da aviação civil devem tomar medidas punitivas e severas para que sejam evitados esses procedimentos irresponsáveis que envolvem tremores vindos do alto, mais graves que miniterremotos, ainda que pontuais. |