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03 de maio de 2007
Tesouro do mar: excremento de baleia vale uma fortuna
O âmbar-gris, substância produzida pelas baleias cachalotes machos após um jantar à base de lula, entra na composição de perfumes – e nas antigas receitas orientais para ganhar força e aumentar a virilidade
por Cynthia Graber
Dejeto valioso: Parece uma pedra desgastada pelo mar, mas na verdade é âmbar-gris que, dependendo da idade, pode valer milhares de dólares
Pedras e “torrões” que à primeira vista parecem lixo em praias ou boiando nos oceanos podem valer milhares de dólares: são fragmentos de âmbar-gris, uma substância produzida pelas baleias cachalotes machos após um jantar à base de lula: os bicos duros e pontudos dos moluscos irritam as vísceras das baleias. Os cientistas acreditam que as cachalotes produzem essa pasta gordurosa no estômago para proteger seus intestinos. Algum tempo depois, os animais eliminam um enorme “torrão”, que pode ter centenas de quilos.

Blocos pretos viscosos e mal-cheirosos de âmbar-gris recém-expelido flutuam na superfície do oceano. O Sol, o ar e a água salgada oxidam a massa, e a água evapora continuamente. O bloco endurece, se quebra em pedaços menores, incrustados com bicos de lula, e finalmente se torna cinza e com aspecto de cera. Então, esses fragmentos começam a exalar um aroma doce que lembra tabaco, pinho ou matéria vegetal em decomposição. A qualidade – e o valor – de um fragmento depende do tempo que ficou flutuando, diz o especialista e comerciante de âmbar-gris Bernard Perrin, “pois ele envelhece como um bom vinho”.

Por milhares de anos, esse tesouro dos mares foi altamente valorizado. No Oriente Médio, os homens transformavam o âmbar-gris em pó e o ingeriam para ganhar mais força e virilidade, combater males do coração e do cérebro e ainda temperar alimentos e bebidas. Os chineses o chamavam de “fragrância da saliva do dragão”. Os antigos egípcios o queimavam como incenso. Um tratado médico inglês da Idade Média informa aos leitores que o âmbar-gris pode acabar com dores de cabeça, resfriados e epilepsia, entre outras doenças. E os Portugueses conquistaram as Maldivas no século XVI em parte para ganhar acesso às porções generosas da substância cheirosa nas ilhas.

A palavra árabe anbar se refere especificamente a essa substância produzida pela cachalote e é a raiz da palavra “âmbar”. Há séculos os franceses usavam os termos amber gris e amber jaune (âmbar-gris ou cinzento e âmbar amarelo) para distinguir o âmbar-gris de origem animal daquilo que hoje se tornou o significado padrão da palavra “âmbar”: a resina vegetal dourada.
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