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Um plano de defesa contra a Guerra à Ciência

A tarefa de criar um público capaz de desmistificar “fatos” sem base em evidências cabe a imprensa, educadores e outros formadores

Quatro anos atrás, na Scientific American, eu adverti os leitores sobre um problema crescente na democracia americana. O artigo, intitulado “Crenças anticientíficas ameaçam a democracia dos EUA”, apontava que não havia apenas se tornado aceitável, mas necessário, que políticos abraçassem posicionamentos anticientíficos, e como tais posicionamentos iam na contramão dos princípios essenciais sobre os quais os EUA haviam sido fundados: que se qualquer um pode descobrir a verdade de algo por si mesmo usando as ferramentas da ciência, então nenhum rei, papa ou nobre rico tinha mais direito de governar as pessoas do que elas mesmas. Era evidente.

 Desde então, a situação piorou. Nós vimos o surgimento da política “pós-factual”, que normalizou a negação das evidências científicas que entram em conflito com as agendas políticas, religiosas ou econômicas das autoridades. A maior parte dessa negação gira em torno, agora previsivelmente, do aquecimento global — mas não apenas. Se existe apenas um fator a ser considerado com um barômetro que evoca todos os outros nessa eleição, é a atitude dos candidatos em relação à ciência.

 Considere, por exemplo, o que vem acontecendo no Congresso. O deputado Lamar Smith, o republicano do Texas que preside a Comissão de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara, nega o aquecimento global. Smith usou o posto para iniciar uma série de caça às bruxas ao estilo de McCarthy, emitindo intimações e exigindo correspondências confidenciais e testemunhos de cientistas, civis, agências científicas do governo, procuradores gerais e organizações sem fins lucrativos cujos trabalhos mostram que o aquecimento global está acontecendo, é causado por humanos e que —surpresa—companhias de energia buscam plantar dúvidas sobre esses fatos.

 Smith, adepto da seita Ciência Cristã que parece se deliciar com seu papel de pesadelo da comunidade científica, não está sozinho. A negação das mudanças climáticas já é quase uma das bandeiras do Partido Republicano (e a rejeição ao acordo climático de Paris já se tornou um objetivo real), com a maior parte dos congressistas republicanos defendendo a mesma posição. O Senador Ted Cruz (R–Texas), presidente do Subcomitê de Espaço, Ciência e Competitividade do Senado, tirou férias da sua campanha presidencial em dezembro passado para realizar audiências durante a cúpula climática de Paris, que contaram com a participação de outros negadores da mudança climática repetindo pontos cientificamente desacreditados.

 A situação da ciência se tornou tão partidária que a frase mais aplaudida do discurso de Hillary Clinton durante a cerimônia de aceitação da candidatura em nome do Partido Democrata foi “Eu acredito na ciência”. Donald Trump, em contraste, é o primeiro grande candidato à presidência a negar explicitamente a existência da mudança climática, tendo se referido ao fenômeno como um “trote” ou “engano” inúmeras vezes. Nas suas respostas para a organização que eu ajudei a fundar, ScienceDebate.org, que faz candidatos à presidência responderem a perguntas sobre ciência, ele nos disse que “ainda existe tanto a ser investigado no campo da ‘mudança climática’,” colocando o termo entre aspas para sugerir a dúvida sobre sua existência real. Quando questionado sobre seus comentários sobre o tal “trote”, a gerente de campanha de Trump, Kellyanne Conway, afirmou que ele não acredita que o aquecimento global tenha sido causado por seres humanos.

 Nos últimos 25 anos, a direita política tem se organizado em torno de linhas anticientíficas que têm se tornado cada vez mais rígidas: evangélicos fundamentalistas, que rejeitam o que as ciências biológicas dizem sobre as origens humanas, sexualidade e reprodução, servindo como soldados para os interesses de empresários endinheirados que negam tudo o que as ciências ambientais têm a dizer sobre poluição e exploração de recursos naturais. Em 1990, por exemplo, os democratas da Câmara obtiveram uma pontuação de 68% no League of Conservation Voters National Environmental Scorecard, enquanto os republicanos obtiveram uma pontuação respeitável de 40%. Em 2014, os democratas marcaram 87%, enquanto a pontuação dos republicanos caiu para pouco mais de 4%.

 Tamanha rejeição é, essencialmente, uma argumentação autoritária que diz “Eu não ligo para evidências; o que eu digo/o que esse livro diz/o que minha tribo diz/minha carteira diz é o que vale.”   

 Essa abordagem é demasiadamente humana, e não necessariamente consciente. Ela reflete o tipo de viés de confirmação do qual os próprios cientistas precisam se proteger continuamente. Francis Bacon notou o problema no início da revolução científica, observando “aquilo que um homem prefere que seja a verdade, nisso ele crê mais prontamente.” Conservadores notam que muitos cientistas, de fato, se identificam mais com a esquerda. Se uma pessoa não é cientista, e é conservador, toma-se uma via  na qual a ciência é vista com suspeita, não como uma afirmação objetiva, mas sim como um argumento motivado politicamente pela esquerda.

 Aqueles de esquerda são mais inclinados a aceitar as conclusões com base nas evidências científicas biológicas e ambientais, mas não estão imunes à atitudes anticientíficas. Nesse sentido, medos desacreditados cientificamente de que vacinas causam autismo levaram a um movimento liberal de antivacinação, colocando a saúde pública em risco. O medo de que comida geneticamente modificada seja perigosa, igualmente infundado, incentiva um movimento nacional. O medo de que celulares causem câncer cerebral, de que o WiFi acarrete problemas de saúde e de que a fluoretação da água provoque queda do QI, nenhum dos quais possui qualquer respaldo da ciência,  também tiveram sua origem, em grande parte, na esquerda política.

 Muito disso vem de suspeitas da chamada captura regulatória, na qual agências governamentais se alinham com interesses corporativistas, um perigo que a candidata do “Green Party” (um partido progressista dos EUA), Jill Stein, apontou em sua resposta sobre vacinação no ScienceDebate.org. Essas suspeitas nem sempre são infundadas, e se não se pode confiar na imparcialidade das regulamentações de segurança do governo, o princípio da prevenção se torna o posicionamento padrão e a ciência é negada com base no argumento de que é propaganda corporativa. Isso foi bem ilustrado por uma batalha em São Francisco, em 2011, quando um conselho de supervisores, todos democratas, votaram para exigir que lojas de celulares avisassem os clientes de que os produtos poderiam causar câncer cerebral (uma ordem que foi amplamente criticada e, mais tarde, revogada). A diferença é que embora a esquerda à vezes tente estender regulamentações baseando-se em medos que nem sempre são creditados pela ciência, membros da direita se opõem à regulamentações que são.

 Essa viés de confirmação foi permitido por uma geração de acadêmicos universitários que ensinaram uma marca de identidade política corrosiva e pós-modernista que argumenta que a verdade é relativa, e a ciência uma “meta narrativa”— uma história inventada pela elite masculina e branca dominante para reter poder— e, portanto, suspeita. As afirmações da ciência, esses acadêmicos dizem, não são mais privilegiadas do que qualquer outro “conhecimento,” como a verdade negra, feminina ou indígena. Nós não podemos saber, argumentou recentemente um professor de Minneapolis, se a Terra gira em torno do Sol, por exemplo, porque esse tipo de visão de mundo foi desalojado pelas mudanças de paradigma ao longo da história. Assim, cada um de nós possui sua própria verdade, e o trabalho de um educador ou jornalista é simplesmente facilitar esse processo de descoberta.

 As ideias do pós-modernismo se alinham muito bem com a identidade política da esquerda, e eles ajudaram a empoderar vozes menos avantajadas, o que sempre agrega ao debate. Mas o que funciona nesse caso para discursos políticos é demonstravelmente falso quando aplicado à ciência. Uma afirmação científica se mantém independentemente de gênero, orientação sexual, contexto étnico, religioso ou identidade política da pessoa que tira as medidas. Esse é justamente o ponto. Tem a ver com o objeto sendo medido, não com quem o está medindo.

 Ao minar a afirmação que a ciência faz sobre objetividade, esses pós-modernos montaram a base filosófica para um novo surgimento do autoritarismo. Porque se não existe uma evidência científica que possui credibilidade final, como se definirão as competições causadas por diferentes afirmações da realidade ou verdade, como as feitas por Trump? Sem verdade objetiva, a disputa entre diferentes filosofias pode continuar para sempre, podendo ser resolvida somente por aqueles com a maior vara ou o mais alto megafone — ou seja, pela dissertação autoritária, uma situação não de pós, mas de pré-modernismo. Que é exatamente o que está acontecendo. E que vai completamente contra a iluminação de ideias da democracia americana e do jornalismo que deve informar.

 O problema é que os perigos sobre os quais a ciência alerta estão se revelando reais, e a falha em regulamentar, promovida em nome do livro mercado econômico, é por si só infundada cientificamente. A explosão da população humana, juntamente com a expansão do poder tecnológico, está tendo um profundo impacto coletivo em um planeta que não se expande. Quando Adam Smith divulgou pela primeira vez a ideia libertária de um mercado capaz de se autorregular através de sua “mão invisível”, o mundo era efetivamente ilimitado e depender das forças do mercado para produzir a maior quantidade de bens parecia razoável porque ninguém estava preocupado com lixo que não desapareceria magicamente e nem com recursos naturais que não iriam se reabastecer.

 Mas o modelo se torna um problema quando o mundo é limitado, a população cresceu exponencialmente, estamos nadando em lixo, lidando com esgotamento dos recursos, e nosso acúmulo de calor está esquentando o planeta. Esses são fatos científicos, e enfrentá-los significa regulamentar o mercado livre. Não é surpresa nenhuma, então, que a ciência tenha dividido linhas políticas entre os de esquerda, favoráveis à moralidade pessoal e responsabilidade coletiva através de regulamentação, e os da direita, favoráveis à moralidade coletiva moral e responsabilidade pessoal através da remoção de regulamentações.

 A guerra da indústria contra a ciência não se limita à mudança climática.  Uma série de campanhas de relações públicas nas últimas cinco décadas gastaram bilhões de dólares com o único propósito de semear dúvidas sobre a ciência na população. As técnicas são, frequentemente, as mesmas: ressaltar apenas algumas partes convenientes fornecidas por médicos ou cientistas pagos que possuam conclusões alternativas que apoiem sua agenda; enfatizar a necessidade de um debate saudável (quando na realidade não há nenhum); atacar a integridade da ciência tradicional e dos cientistas; enfatizar as consequências negativas de enfrentar o problema; alimentar jornalistas empáticos com histórias (ou comprar um veículo noticioso); financiar grupos “Astroturf” para criar a ilusão de um apoio das bases; pedir “equilíbrio”; dar dinheiro para legisladores que votarão do melhor jeito para você.

 Em 1960, com o tabaco, por exemplo, companhias montaram uma campanha para criar incerteza no público acerca da evidência científica de que fumar causa câncer. A indústria do açúcar financiou pesquisas em Harvard por décadas para criar incertezas sobre o papel do açúcar em doenças do coração enquanto promovia a gordura como a verdadeira culpada. A indústria dos químicos fez de Rachel Carson uma vilã para criar dúvidas sobre os problemas ambientais causados por pesticidas. As indústrias de construção e extração de recursos pagou consultores para ajudá-los a gerar dúvidas sobre os riscos de saúde oferecidos por amianto, sílica e chumbo. Mais recentemente, a Liga Nacional de Futebol (NFL, na sigla em inglês) usou dados incompletos e médicos associados à Liga para criar incertezas sobre a relação entre traumatismo craniano e encefalopatia traumática crônica. A mensagem central é sempre essa: como não temos 100% de certeza, não devemos fazer nada.

 A divisão partidária tem sido exacerbada por essas campanhas e por uma mídia que foi treinada há duas gerações pela falsa visão pós-modernista de que não existe objetividade. Escolas de jornalismo ensinam isso; está presente em manuais de reportagem e é repetido por jornalistas importantes. A intenção é advertir contra assumir um discurso como completamente neutro, mas o mantra se tornou tão arraigado que repórteres raramente questionam aqueles no poder quando se trata de evidências, o que é uma das principais funções do quarto poder. David Gregory, correspondente chefe da Casa Branca para a NBC News durante a administração de George W. Bush, se colocou bem claramente nesse sentido quando defendeu o posicionamento da equipe de jornalistas da Casa Branca em não pressionar o então presidente em relação à falta de evidências das “armas de destruição em massa” de Sadam Hussein antes dos EUA invadirem o Iraque. “Eu acho que existem muitos críticos que acham que… que se nós não nos levantássemos e disséssemos que isso é falso, que você é um mentiroso e está fazendo isso e aquilo, que não estamos fazendo nosso trabalho,” disse Gregory. “Eu respeitosamente discordo. Não é nosso papel.”

Mas se não é papel da imprensa, de quem é? É partidário questionar Trump sobre suas afirmações falsas em relação ao aquecimento global? Como as pessoas podem tomar decisões bem informadas sobre políticas momentâneas ou eleições importantes sem informações precisas e razoavelmente objetivas e sem questionar os poderosos? Ao invés disso, jornalistas procuram por perguntas que promoverão argumentos opostos e criar “equilíbrio”, para que eles possam aparecer como árbitros neutros em uma disputa de playground. Mas o princípio jornalístico do equilíbrio começa a ter problemas quando existe uma questão na qual evidência científica significativa pode ser exercida.

Firmas de relações públicas sabem e tiram vantagem disso para manipular jornalistas. Um jornalista que dedica metade de uma história a um cientista que está representando todo o conhecimento produzido por dezenas de milhares de experimentos realizados por milhares de cientistas (muitos dos quais arriscaram suas carreiras e até mesmo vidas) usando bilhões de dados e a outra metade para uma apaixonado advocando por uma causa contrária e representando uma visão minoritária ou não científica está cometendo falsa simetria. Representações assim mostram essas visões discrepantes como se tivessem o mesmo peso das da ciência tradicional, e, assim, levam visões e partidarismos extremos à nível de diálogo nacional.

A natureza autoritária da negação da ciência é parte e parcela do surgimento de um novo autoritarismo nacionalista que reage contra a globalização trazida pelo nosso sucesso científico pós-guerra, e é antiético para a ciência e para o processo científico da investigação. Esses autoritários colocam a ciência em sua mira e afirmam que ela é uma ferramenta partidária, assim como argumentaram contra a “mídia liberal” a fim de intimidar jornalistas quanto a questionarem afirmações que contrariam as evidências. Mas a ciência nunca é partidária. Para ser efetiva, cientistas precisam ser conservadores e progressistas ao mesmo tempo: eles precisam examinar toda a ciência conhecida sobre um determinado tópico e, pelo menos, reconhecer os valores tradicionais se publicarem algo novo sobre um tópico, ou arriscam suicídio em termos de carreira.  

Mas também devem estar abertos para novos insights e novas maneiras de pensar, porque é aí que está a fronteira, e fazer de menos é arriscar estagnação na carreira, outra forma de suicídio. A ciência nunca é partidária, mas é inerentemente política, porque suas conclusões não-autoritárias e baseadas em provas ou confirmam ou desafiam os interesses econômicos ou ideológicos de alguém — e isso é sempre político. Olhando por essa perspectiva, a política não é simplesmente um contínuo direita-esquerda; também possui um componente vertical entre autoritarismo e antiautoritarismo. Assim, há autoritários como Mao e Stalin na esquerda e Hitler e Mussolini na direita, mas o que eles têm em comum é a intolerância a um tipo de abertura e troca que é central para a arte, a ciência e o progresso humanos.

Essa tensão vertical entre especialistas e autoritários ajuda a explicar o que está acontecendo tanto no Partido Republicano quanto na União Europeia, com o Brexit e o aumento de um novo autoritarismo, e porque ele é tão corrosivo para a ciência. A disputa é entre antiautoritários que defendem a ciência e a evidência e autoritários que já estão cheios de especialistas.

Espera-se que esse problema piore nos próximos anos, particularmente se candidatos autoritários continuarem a serem eleitos com a ajuda da imprensa que trata qualquer visão, não importa o quão infundada, como legítima. Nós estamos criando 10 vezes mais conhecimento do que estávamos em um passado recente. Toda essa nova informação deve ser analisada e suas implicações devem passar pela nossas discussões éticas e morais, e então codificadas em nossos sistemas legais e regulatórios, e esse é inevitavelmente um processo político e complexo. Avanços na edição de genes estão gerando um aumento do controle sobre os processos de desgin da vida e criação, levantando complexas questões éticas e problemas políticos. Avanços na neurociência mostram cada vez mais que a mente é uma construção do cérebro.

Esses insights, combinados com os avanços nos farmacêuticos e na tecnologia de interface cérebro-computador, vão desafiar nossas ideias sobre psicologia, espiritualidade e responsabilidade pessoal, bem como inverter nossas ideias sobre justiça criminal. E, ainda assim, estamos presos em um debate de 40 anos sobre evidências de que humanos estão causando o aquecimento global.

Existem soluções, no entanto. Sciencedebate.org é, certamente, um começo. Evidências mostram o público anseia por discussões sobre temas científicos  — que afetam os eleitores tanto quanto as questões de economia, política externa, religião e valores que os candidatos discutem tradicionalmente.

Indivíduos podem participar e apoiar organizações como o ScienceDebate.org ou a União dos Cientistas Preocupados, que lutam pela integridade científica. Pastores e pregadores podem certamente fazer mais  e se informarem sobre ciência de ponta, ajudando seus fiéis a analisarem implicações morais e éticas complexas de novos conhecimentos ao invés de requentar velhas divisões políticas. Educadores podem desenvolver modelos de currículo e fornecer treinamento para aulas de ciência ligadas à educação cívica nas escolas secundárias e pós-secundárias para que alunos que não seguirão carreira científica desenvolvam um entendimento sobre como a ciência funciona na esfera de política pública e como está relacionado com suas vidas diárias. E muitas outras. Eu discuto muitas dessas soluções em meu novo livro, The War on Science.

“Em qualquer lugar onde as pessoas são bem informadas,” escreveu Thomas Jefferson, “elas têm condições de  governar a si mesmas ”. Nós temos que desenvolver maneiras mais robustas para incorporar rapidamente os avanços no conhecimento científico ao diálogo político, para que os eleitores possam continuar guiando o processo democrático e lutar contra o autoritarismo como fizemos na nossa fundação e através da história.  Isso exigirá que a mídia repense seu papel em reportar questões onde o conhecimento científico é crucial. Isso é idealista? Sim. Mas os fundadores dos Estados Unidos também eram.

 

Shawn Otto

 
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