Notícias
  
11 de outubro de 2007
Uma barata consegue sobreviver sem cabeça?
Consegue, sim. E a cabeça também se mantém viva sem o corpo – pelo menos por algumas horas
por Charles Q. Choi
© Terry & Natasha Turner/Stock.Xchng
Infames por sua persistência, as baratas muitas vezes são citadas como as únicas prováveis sobreviventes a um holocausto nuclear. Alguns sábios de plantão argumentam que as criaturinhas conseguiriam até mesmo viver sem a cabeça – e eles estão certos: às vezes, uma barata sem cabeça consegue sobreviver por semanas.

Compreender como as baratas – e muitos outros insetos – conseguem sobreviver à decapitação também pode ajudar a entender porque os humanos não são capazes de tal façanha, diz o fisiologista e bioquímico Joseph G. Kunkel, da University of Massachusetts Amherst, que estuda o desenvolvimento das baratas. Em primeiro lugar, a decapitação em humanos resulta em hemorragia e queda na pressão sanguínea, dificultando o transporte de oxigênio e nutrientes até os tecidos vitais. “A pessoa sangra até morrer”, afirma Kunkel.

Além disso, os humanos respiram pela boca ou pelo nariz, e o cérebro controla essa função crucial – assim, a respiração cessaria. O corpo humano também não pode se alimentar sem a cabeça, o que garante morte certa por inanição se alguém sobrevivesse aos outros “efeitos“ da decapitação.

As baratas possuem um sistema circulatório diferente. Para que o sangue siga seu caminho pela vasta rede de vasos e artérias do corpo humano, e especialmente através dos minúsculos capilares, é preciso manter uma certa pressão. O sistema vascular da barata é bem menos extenso e não possui capilares; assim, a pressão pode ser significativamente mais baixa. “Depois de cortar a cabeça da barata, o pescoço do inseto se ‘fecha’ com a coagulação”, explica Kunkel, “Não há uma hemorragia descontrolada”.
1 2 3 »
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!