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Uma dieta especial poderia substituir a quimioterapia?

Para pacientes com câncer no sangue ou que precisem de um transplante de medula óssea, a resposta para novos tratamentos pode estar no aminoácido valina

 

Tratamentos para câncer no sangue um dia poderão incluir restrições alimentares especiais: pesquisadores descobriram que um aminoácido essencial tem um papel crucial na criação de células-tronco — uma descoberta que, segundo os cientistas, poderá levar a uma potencial alternativa à quimioterapia e ao uso de radiação.

A valina é um dos dez aminoácidos essenciais — “blocos” que formam as proteínas e que são cruciais para a vida, mas não podem ser produzidos pelo corpo humano. Assim, devem ser obtidos através da dieta e podem ser encontrados em alimentos como carne, laticínios e legumes. A valina está relacionada com o metabolismo e a reparação de tecidos, e agora parece que também é a chave para a formação de células-tronco do sangue. De acordo com o estudo publicado na revista científica Science, pesquisadores da Universidade de Tóquio e da Universidade Stanford observaram que células-tronco humanas de sangue não conseguiram proliferar quando cultivadas em placas de petri sem valina. Ratos privados do aminoácido por 2 a 4 semanas também pararam de produzir novas células brancas e vermelhas.

Com base nesses resultados, o autor sênior Hiromitsu Nakauchi e seus colegas acreditam que privar pacientes com câncer no sangue de alimentos que contenham valina antes de um transplante de medula óssea pode poupá-los da necessidade de fazer quimioterapia ou terapia com radiação— ambos tratamentos que destroem células-tronco sanguíneas causadoras de câncer para abrir espaço para as células que serão transplantadas, mas que apresentam outros riscos para a saúde. Em um experimento seguinte,  Nakauchi e seus colegas testaram a ideia em ratos privados de valina e conseguiram transplantar com sucesso a medula óssea sem a necessidade de radiação ou quimioterapia. Mas metade dos ratos morreram por falta de valina logo depois que o teste de quatro semanas acabou.

Nakauchi diz que mais pesquisa é necessária para determinar quanto tempo pessoas podem tolerar uma dieta livre de valina (que, provavelmente, seria administrada de maneira intravenosa). Mas se a privação funcionar em humanos, o novo tratamento poderia abrir portas para o transplante de medula óssea em pacientes como mulheres grávidas ou pessoas com contagem baixa de componentes do sangue, que geralmente não são considerados pacientes aptos para receberem quimioterapia ou radiação, afirma Linheng Li, biólogo de células-tronco do Instituto Stowers de Pesquisa Médica, em Kansas City, no Missouri, que não participou do estudo. Ele suspeita que essa abordagem precisará ser combinada com outras terapias ou doses pequenas de quimio ou radiação para ser efetiva, no entanto.

Remover valina da dieta de certos pacientes com leucemia também poderia eliminar células que são as causas do câncer, afirma Nakauchi. “Se uma terapia tão simples e relativamente menos danosa pudesse ser usada para tratar leucemias, isso seria ótimo.”

 

Karen Weintraub

 
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