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Ressonância ajuda a mapear o estado de concentração

Manter o controle melhora a saúde e ajuda a manter a dieta e o orçamento 

Levent Konuk
Por Ingrid Wickelgren

 

 

Quantas vezes você já chegou a algum lugar, mas não se lembrava de como foi a viagem? Alguma vez você já ficou sentado em um auditório, sonhando acordado, sem registrar o que as pessoas no palco diziam ou encenavam?

Nós frequentemente passamos os dias perdidos em viagens mentais, pensando sobre alguma coisa do passado, ou do futuro, o que nos deixa alheios ao que está acontecendo ao nosso redor naquele momento. Ao fazer isso, perdemos muito da vida. Nós também nos tornamos relativamente infelizes, e inclinados a maus desempenhos e acidentes. 

O estado mental oposto, a atenção [mindfulness], é uma consciência calma e concentrada do presente. Cultivar esse estado está associado a melhoras tanto na saúde mental quanto física.Isso pode até melhorar doenças mentais.

O treinamento de atenção funciona em grande parte por treinar nossa capacidade de prestar atenção. Conforme aprendemos a nos concentrar no “aqui-agora”, também aprendemos a manipular nosso foco mental de maneira mais geral.

A capacidade de dirigir nossas mentes à vontade significa que controlamos aquilo em que pensamos. Não é de surpreender que o domínio dessa habilidade pode nos deixar mais felizes. Isso também pode aumentar o desempenho de soldados, cirurgiões, atletas e muitos outros que precisam manter um foco preciso sobre o que estão fazendo.

Algumas pessoas são naturalmente mais atenciosas que outras, mas é possível treinar a si mesmo para entrar nesse estado mais frequentemente. Exercícios simples executados por apenas 12 minutos ao dia podem ajudá-lo a se tornar mais atento. Para um exemplo de exercício, assista esse vídeo: http://blogs.scientificamerican.com/streams-of-consciousness/2013/02/14/learn-to-live-in-the-now-video/

Investindo no Futuro

Concentrar-se no agora, porém, nem sempre é apropriado quando você tem que fazer uma escolha entre um desejo imediato e um resultado futuro. Na verdade, uma das principais falibilidades humanas é a tendência de valorizar muito mais aquilo que podemos ter imediatamente do que recompensas futuras ainda maiores. No cérebro humano, um benefício tardio parece muito mais distante do que realmente é, o que o torna menos tentador.

Esse problema, que cientistas chamam de “desconto temporal”, leva à alimentação excessiva, gastos excessivos, abuso de drogas e outros problemas que parecem vir da falta de autocontrole. Mas nós não precisaríamos de autocontrole se nosso cérebro não fizesse esse triste erro de cálculo todas as vezes.

Felizmente existem truques para lidar com esse problema.

Um deles é atrasar a recompensa mais imediata. Se você esperar cinco minutos antes de comer uma barra de chocolate, ou comprar um colar caro, ou tomar qualquer decisão estúpida, seu desejo de fazer essas coisas será reduzido pela metade em relação a cinco minutos atrás.

Esse pequeno adiamento ajuda a equilibrar o jogo, dando aos benefícios financeiros ou à saúde uma chance de lutar. Outras dicas para uma boa tomada de decisão incluem o detalhamento das consequências de uma recaída – em sua dieta, por exemplo, ou sua sobriedade.

Escrever fatos específicos que aconteceram no passado, ou que poderiam acontecer no caminho, pode aumentar a importância desses cenários futuros. E se o futuro tiver peso maior, você estará mais inclinado a tomar uma decisão sábia no presente.

Controle Mental na Vida Real

Há uma  maneira high-tech de lutar pelo controle de sua própria mente e cérebro.

Com uma tecnologia chamada de Ressonância Magnética Funcional (fMRI), você pode visualizar sua própria atividade cerebral. Então pode praticar técnicas que a aumentam ou diminuem – assim alterando sua experiência consciente.

Para tanto, você tem que entrar em um equipamento de scanner cerebral enquanto computadores coletam e analisam a atividade de seu cérebro, que em seguida é mostrada a você.

Um computador representa essa atividade como, digamos, uma chama. Então você pode tentar descobrir que pensamentos alteram essa atividade.

Quando encontrar um pensamento que funciona, você muda como se sente ou até mesmo o que é capaz de fazer.

Pessoas vêm usando essa técnica para minimizar a dor crônica, especialmente difícil de tratar, ao acalmar comoções em uma região específica do cérebro. Pacientes também usam isso para combater os sintomas do mal de Parkinson ao se concentrarem em aumentar a atividade em uma área cerebral envolvida no controle motor.

No futuro, as pessoas poderão aumentar ou suprimir a atividade em áreas cerebrais específicas para diminuir a ansiedade ou acelerar a aprendizagem.

Levando a ideia de controlar movimentos ao extremo, imagino, também, se ela pode ser usada para melhorar a habilidade nos esportes ou em cirurgias.

No momento, usar esse método de controle mental requer um scanner cerebral grande e caro, não aplicável em situações menos críticas até que dispositivos menores e mais baratos estejam disponíveis. Mas a tecnologia parece muito promissora. Eu, por exemplo, gostaria de observar os mecanismos de minha mente e tentar colocar óleo nas engrenagens.