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Vaginas de laboratório são implantadas com sucesso

Desenvolvidos a partir de células das próprias pacientes, orgãos apresentam funções normais

Dr. Yuanyuan Zhang, Wake Forest Institute for Regenerative Medicine
Por Bahar Gholipour e LiveScience

Pesquisadores desenvolveram vaginas em um laboratório e os órgãos estão funcionando normalmente em quatro adolescentes que estiveram entre as primeiras a receber um implante desses, cientistas informaram em 10 de abril.

Todas as pacientes do estudo foram submetidas a cirurgias há entre cinco e oito anos, porque haviam nascido com uma rara condição genética em que a vagina e o útero estavam subdesenvolvidos ou ausentes.

Cientistas cultivaram cada vagina a partir de células da própria paciente, implantando-a posteriormente em seu corpo. Até o momento, o tratamento mostrou-se bem sucedido nos exames de acompanhamento, e as pacientes, agora sexualmente ativas, relataram funções normais segundo o estudo publicado em 10 de abril no periódico acadêmico Lancet. [7 Facts Women (And Men) Should Know About the Vagina (7 Fatos que mulheres – e homens – devem saber sobre a vagina, em inglês].

Embora esse seja apenas um pequeno estudo piloto, os resultados mostram que órgãos vaginais podem ser construídos no laboratório e utilizados com sucesso em pessoas, comentou o pesquisador do estudo Dr. Anthony Atala, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa do Centro Médico Batista Wake Forest.

Apesar de ainda serem necessárias mais pesquisas, a cultura de tecido vaginal a partir de células da própria pessoa poderia potencialmente oferecer uma nova opção de tratamento para pacientes com câncer vaginal ou lesões que necessitam de cirurgias reconstrutivas, explicaram os pesquisadores.

“Muitas coisas que estamos fazendo agora realmente são aplicáveis a pacientes que têm deformidades ou órgãos anormais para muitas outras condições; sendo que o câncer obviamente é a causa predominante, e também pacientes que talvez tenham uma lesão na área”, explicou Atala.

As meninas no estudo tinham uma deformação congênita chamada síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), que afeta entre um em 1.500 e um em 4.000 bebês do sexo feminino, de acordo com os pesquisadores.

Para construir as vaginas personalizadas, os pesquisadores coletaram um pequeno fragmento de tecido vulvar, menor que a metade do tamanho de um selo postal, de cada paciente, e depois fizeram as células se multiplicarem em placas laboratoriais.

A vagina é formada por duas camadas principais com dois tipos de células: as células musculares e as células epiteliais vaginais. Para construir essas camadas, os pesquisadores colocaram um tipo de células sobre uma face de um “andaime”, uma estrutura feita de um material parecido com tecido, e colocaram o outro tipo de célula na outra face dessa mesma estrutura.

“Fomos capazes de moldar o andaime especificamente para cada paciente, e colocamos esse dispositivo com as células em um biorreator, que é um aparelho parecido com um forno e tem as mesmas condições que o corpo humano, por cerca de uma semana, até que ele estivesse ligeiramente mais maduro”, explicou Atala.

Uma vez que os órgãos estavam prontos, médicos criaram cirurgicamente uma cavidade no corpo dos pacientes e suturaram um lado do órgão vaginal na abertura da cavidade e o outro lado na parede do útero.

“O processo todo leva de cinco a seis semanas, a partir do momento em que coletamos o tecido da paciente até o momento em que de fato reimplantamos a construção projetada de volta nela”, informa Atala.

As garotas tinham entre 13 e 18 anos na época de suas cirurgias. Pesquisadores acompanharam as pacientes todos os anos, durante cinco a oito anos, e examinaram os órgãos usando raios-X e biópsias para verificar sua estrutura. Nesse período, as pacientes também relataram sobre a funcionalidade dos órgãos, incluindo sua função sexual.

De acordo com o estudo, os dados dessas visitas anuais de acompanhamento mostraram que até oito anos após as cirurgias os órgãos tinham uma função normal, inclusive funções sexuais normais, como desejo e relações sexuais indolores.

Os tratamentos atuais para a síndrome MRKH incluem dilatação de tecido existente ou, em casos mais severos, cirurgia reconstrutiva usando um pedaço do intestino ou um pedaço de pele para criar um novo órgão vaginal.

No entanto, o risco de complicações com essas técnicas é elevado, porque o tecido substituto não é vaginal, admitiu Atala. “Eles não são ideais porque não têm a mesma funcionalidade”, resumiu.

Sciam 11 de abril de 2014

sciam16abr2014