Notícias
09 de setembro de 2010
Vespas punem impostores
Novo estudo sugere que insetos atormentam quem mente sobre suas habilidades de luta
por Ferris Jabr
Elizabeth Tibbetts, University of Michigan
Biólogos pintaram marcas intimidantes em vespas-do-papel relativamente submissas e suas colegas puniram-na por trapacear
Antes de uma luta, muitos animais medem seus oponentes, ainda que brevemente. Até mesmo uma pequena olhadela pode fornecer informações cruciais para determinar se o indivíduo luta e arrisca se ferir ou se é melhor virar e fugir. Alguns animais desenvolveram sinais ou comportamentos que lhes permitem julgar a força um do outro e evitar batalhas perigosas e desnecessárias. Veados avaliam as galhadas uns dos outros e alguns pássaros e lagartos intimidam seus rivais com cores proeminentes.

Mas quais pressões evolutivas evitam que um animal engane seus colegas ao parecer um valentão quando, na verdade, é apenas uma vítima? Um novo estudo publicado em 19 de agosto na Current Biology sugere que vespas-do-papel controlam esse tipo de enganação usando punições sociais. As vespas batem nos impostores.

Para ajudar a estabelecer hierarquias estáveis de dominação, vespas-do-papel altamente sociáveis chamadas Polistes dominulus confiam em marcas faciais distintas – ousadas tatuagens negras em suas brilhantes faces amarelas. As vespas dominantes mostram padrões faciais mais fragmentados que as submissas e os insetos usam essas marcas para determinar quem deve se submeter a quem.

“São como faixas de caratê para as vespas”, afirma Elizabeth Tibbetts, bióloga da University of Michigan, em Ann Arbor, e autora-líder do estudo. “Se alguém usa uma faixa preta, está dizendo que é um bom lutador. Porém, podemos imaginar uma pessoa usando uma faixa de qualquer cor, mesmo que não lute tão bem”. As vespas não conseguem mudar seus rostos à vontade, observa Tibbetts, mas uma mutação vantajosa poderia criar trapaceiros que se dizem melhor do que são.

Para descobrir como as vespas lêem os rostos umas das outras, Tibbetts usou algumas ferramentas-padrão de laboratório: pincéis e tinta. Ela pintou os rostos de um grupo de vespas-do-papel de modo que elas anunciassem serem mais fortes do que de fato eram. Para o grupo de controle, ela simplesmente pintou por cima das marcas existentes no rosto das vespas. Ela também deu a algumas vespas um hormônio que as tornava mais agressivas e, às outras, um hormônio que não mudava seu comportamento.

Tibbetts então organizou um conjunto de duelos, cada um entre duas vespas que nunca tinham se encontrado antes: uma vespa havia sido manipulada de alguma forma e a outra ficava completamente sem alterações. Ela observou cada duelo por duas horas, esperando para ver quem estabeleceria a dominância – quando uma vespa finalmente monta e submete a outra.

Todas as manipulações de Tibbett que interferiam com a representação facial das habilidades de luta também interferiam com as interações sociais normais das vespas, impedindo que estabelecessem hierarquias sociais típicas. Vespas com rostos gentis que se comportavam agressivamente por causa do tratamento com hormônios tiveram muito trabalho para convencer suas rivais a se submeterem. E as vespas submissas a quem Tibbetts aplicou maquiagem intimidante foram atormentadas repetidamente. Assim que suas oponentes descobriam a enganação, as vespas eram punidas.

Tibbetts acredita que esse tipo de punição social poderia ser bastante útil em combates de longo prazo por recursos valiosos, durante os quais as vespas têm a oportunidade de testar repetidamente a veracidade das marcas de suas rivais.

“A punição não apenas machuca o trapaceiro como dá benefícios àquele que pune”, avalia Tibbetts. “Durante a interação, quem pune percebe que talvez as marcas de seu oponente não sejam precisas. Se tivessem confiado nelas, teriam fugido.”
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!