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Zooplâncton infesta lagos cristalinos no Canadá

A chuva ácida  estimula a proliferação massiva de organismos revestidos por uma membrana gelatinosa

PLoS Genetics via Wikimedia Commons
Crustáceos ricos em cálcio, como a pulga d`água dáfnia (Daphnia pulex), que usam o elemento para criar um exoesqueleto duro, tornaram-se vulneráveis a predadores e agora estão definhando.

 

 
Por Matthew Gunther e ChemistryWorld

Chuva ácida pode estar transformando lagos prístinos no leste do Canadá em águas densas e gelatinosas.

O fenômeno é decorrente da lixiviação [remoção e dissolução] ácida do cálcio contido em argilas, o que provoca o declínio de alguns organismos que dependem dele.

O resultado é que eles estão sendo substituídos explosivamente por um tipo de zooplâncton revestido por uma membrana gelatinosa.

Uma equipe de pesquisadores de Ontário constatou o estranho fenômeno depois de analisar levantamentos mensais da qualidade da água de lagos da província, que incluíam registros de sua composição química ao longo dos últimos 30 anos.

A chuva ácida, causada por emissões de óxidos de nitrogênio e dióxido de enxofre, parece ter deslocado e eliminado o cálcio das bacias hidrográficas que alimentam os lagos centrais.

A pesquisa descobriu que depósitos ácidos têm aumentado constantemente desde meados de 1850, uma época de rápida industrialização.

Crustáceos ricos em cálcio, como as minúsculas pulgas d’água, ou dáfnias (Daphnia pulex), que usam o elemento para criar um exoesqueleto duro, tornaram-se vulneráveis a predadores e agora estão em declínio.

À medida que suas populações definharam, outras espécies planctônicas tomaram seus lugares, principalmente o zooplâncton do gênero Holopedium, que é revestido por uma membrana gelatinosa. Seus números duplicaram ao longo de 20 anos.

Os gelatinosos Holopedium não só requerem um décimo do cálcio necessitado pelas dáfnias, como seu revestimento também os protege de predadores.

Consequentemente, seu explosivo aumento fez com que as águas lacustres se tornassem cada vez mais gelatinosas.

A equipe adverte que a massiva proliferação de Holopedium terá um impacto significativo no ecossistema. Além disso, os pesquisadores sugeriram que “a gelatina” também poderia bloquear sistemas de filtragem de água potável.

Este artigo foi reproduzido com permissão de Chemistry World. Ele foi publicado originalmente em 24 de novembro de 2014.

Publicado em Scientific American em 26 de novembro de 2014