Reportagem
  
edição 35 - Abril 2005
À caça do vírus da gripe assassina
A mais letal onda de gripe da história está sendo exumada
por Jeffery K. Taubenberger, Ann H. Reid e Thomas G. Fanning
Vítimas da Influenza internadas no hospital das Forças Armadas dos EUA n° 45, em Aix-les-Bains, França, em 1918. Ao todo estima-se que a gripe tenha matado 40 milhoes de pessoas no mundo, das quais mais de 35 mil no Brasil.
Em 7 de setembro de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, um soldado em um campo de treinamento do Exército americano nas cercanias de Boston adoeceu com uma grave febre. Médicos diagnosticaram meningite, mas mudaram de idéia no dia seguinte, quando uma dezena de soldados foi hospitalizada com sintomas de doenças respiratórias. Trinta e seis novos casos desse mal desconhecido surgiram no dia 16. Uma semana depois, havia 12.604 doentes entre 45 mil soldados. Ao final da epidemia, um terço da população do campo havia adoecido, e cerca de 800 morreram. Os soldados que pereceram apresentavam uma cor azulada e sofreram horrivelmente antes de sucumbir à morte por sufocamento.

Muitos morreram em menos de 48 horas depois de os sintomas aparecerem, e na autópsia seus pulmões estavam cheios de fluidos ou sangue.

Por causa dessa rara gama de sintomas que não se encaixava em nenhuma doença conhecida, um famoso patologista da época, William Henry Welch, especulou que seria "um novo tipo de infecção ou praga". Mas a doença não era nem praga nem mesmo nova. Era apenas influenza.

Essa particular, virulenta e infecciosa onda de gripe foi responsável pela morte de cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo entre 1918 e 1919.
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