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Reportagem |
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| edição 43 - Dezembro 2005 |
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| À espera da pandemia |
| Em algum momento, uma variante altamente letal e contagiosa do vírus da gripe se espalhará por todo o mundo, levando milhões de vidas - ou talvez apenas milhares. A epidemia global pode ocorrer daqui a poucos meses ou em muitos anos - mas é inevitável. |
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Quando o furacão Katrina deixou Nova Orleans debaixo d\\'água, a fé dos americanos na capacidade do governo de protegê-los de desastres naturais afundou também. O socorro lento, descoordenado e desproporcional observado nesse episódio suscita dúvidas sobre como os Estados Unidos e outros países lidariam com um desastre natural muito maior e mais mortal. Os cientistas alertam que ocorrerá, possivelmente em breve, uma nova pandemia de gripe.
A ameaça do vírus influenza é mais grave, e suas semelhanças com o Katrina são maiores do que parecem à primeira vista. A rotina de irrupções sazonais de gripe e de furacões alimenta uma familiaridade que leva facilmente à complacência e a preparativos inadequados para o "grande evento", que segundo os especialistas virá com certeza.
A coisa mais importante a compreender a respeito de uma grave pandemia de influenza é que, exceto no nível molecular, a doença se parece muito pouco com a gripe que todos pegamos de vez em quando. Por definição, a pandemia de influenza só acontece quando o vírus sofre mutação, transformando-se em algo perigosamente desconhecido para nosso sistema imunológico e capaz de passar de pessoa para pessoa através de espirro, tosse ou contato físico.
As pandemias de gripe ocorrem de forma imprevisível mais ou menos a cada geração. As últimas foram registradas em 1918, 1957 e 1968. Elas se iniciam quando uma das muitas variantes da influenza, que circulam entre pássaros selvagens ou domesticados, transforma-se numa forma que também infecta as pessoas. O vírus então sofre mais adaptações ou troca genes com uma variante humana da gripe, emergindo de modo altamente contagioso entre seres humanos.
Algumas pandemias são leves, mas outras são cruéis. Se o vírus se replicar muito antes que o sistema imunológico aprenda a produzir anticorpos, a epidemia causará casos graves e às vezes fatais, numa pestilência que poderia provocar em 12 meses mais mortes do que a aids provocou em 25 anos. Os epidemiologistas advertem que a próxima pandemia pode deixar doente um em cada três habitantes do planeta. Muitos deles seriam hospitalizados e dezenas de milhões morreriam. Não haveria um meio garantido de evitar a infecção. |
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