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Reportagem |
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| edição 63 - Agosto 2007 |
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| A Evolução dos Gatos |
| Pistas genéticas no DNA de felinos selvagens do mundo todo permitiram construir com mais clareza a árvore genealógica da família dos felídeos e revelaram vários processos migratórios |
| por Stephen J. O`Brien e Warren E. Johnson |
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| Fotoilustração por James Porto; esquerda para direita: DLIL C Corbis (lince vermelho); Russell Glen ister image100/Corbis (gato doméstico); Terry Whittaker Frank Lane Picture Agency/Corbis (gatoferrugem); Zainal Zahari Zainudin (gato-dourado asiático); Getty Images (serval); Darryl Estrine Getty Images (tigre); Daniel J. Fox Corbis (puma); Dave King Getty Images (jaguatirica) |
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Elegantes e enigmáticos, os felinos desafiam não somente aqueles que dividem seu sofá com espécies menores, mas também cientistas que tentam descobrir as origens e a história evolutiva de seus primos maiores. Onde o ramo moderno da família dos felinos se desenvolveu? Quando e por que saíram de seu habitat e migraram pelos continentes? Quantas espécies existem atualmente? Quais delas estão mais intimamente relacionadas?
De modo geral, os especialistas concordam que há 37 espécies na família Felidae. No entanto, nas dezenas de esquemas de classificação existentes, alguns pesquisadores dividem as espécies de felinos em apenas dois gêneros, enquanto outros consideram até 23. Quem pode culpá-los? Todas as espécies de felinos são muito semelhantes: todos parecem apenas gatos, de grande, médio ou pequeno porte. Distinguir o crânio de um leão do de um tigre pode ser um desafio mesmo para especialistas. Todas as pesquisas genéticas que nas últimas duas décadas tentaram dividir os felinos em agrupamentos bem definidos falharam.
Nos últimos anos, no entanto, a revolução no seqüenciamento genético de vários seres vivos, induzida pelo Projeto Genoma Humano e por poderosas tecnologias de estudo do DNA, deu origem a novas ferramentas de pesquisa extremamente valiosas. Atraídos por essas novas técnicas e com o auxílio de colegas de outras instituições conseguimos finalmente construir a primeira árvore da família Felidae mais claramente resolvida. Comparando as mesmas seqüências de DNA de 30 genes de cada espécie de felino existente pudemos determinar as ramificações da árvore. Em seguida, para chegar aos períodos em que cada ramo surgiu, usamos fósseis datados de modo confiável e a análise de “relógios moleculares” – que, com base no grau de diferenciação em um dado gene, permite estimar há quanto tempo as espécies se separaram umas das outras. Assim, foi possível visualizar pela primeira vez um panorama de como felinos de todos os tamanhos se relacionam uns com os outros e como e quando esses magníficos predadores colonizaram os cinco continentes.
Percebemos imediatamente que os estudos de DNA pareciam indicar 37 espécies distribuídas em oito grupos distintos, ou linhagens. Ficamos fascinados, e ainda mais motivados, quando verificamos que os oito grupos definidos exclusivamente por análise molecular estavam de acordo com observações baseadas em outros tipos de informação. Espécies de uma mesma linhagem, por exemplo, freqüentemente compartilham características morfológicas, biológicas e fisiológicas encontradas somente em seu próprio grupo. |
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 | Stephen J. O`Brien e Warren E. Johnson Depois de obter doutorado em genética na Cornell University em 1971, Stephen J. O’Brien concluiu seu pós-doutorado no National Cancer Institute (NC I). Hoje é chefe do Laboratório de Diversidade Genômica do NC I, que ele fundou no final dos anos 80. Este é seu quarto artigo para a Scientific American. Seus livros mais recentes são: Tears of the cheetah and other tales from the genetic frontier (St. Martin’s Press, 2003) e Atlas of mammalian chromosomes (Wiley, 2006). Warren E.Johnson obteve seu doutorado em ecologia animal na Iowa State University em 1992 e no mesmo ano foi trabalhar no Laboratório de Diversidade Genômica. Multimídia Veja a fascinante ramificação da árvore genealógica dos felinos. http://www2.uol.com.br/sciam/multimidia/a_evolucao_dos_gatos.html |
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