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Reportagem |
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| edição 42 - Novembro 2005 |
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| A exuberante fauna marinha brasileira |
| Projeto Revizee revela novas espécies e hábitos desconhecidos do fundo do mar e confirma baixos estoques em pesquisa que durou dez anos |
| por Eduardo Augusto Geraque |
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| A costa brasileira conta com um número invejável de espécies, mas há pouco volume de peixes em cada uma e o equilíbrio ecológico é delicado |
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Lindomar Fernandes de Lima é pescador e líder comunitário na Prainha de Canto Verde, no Ceará. Seu depoimento sobre as atividades pesqueiras do grupo do qual participa, sempre a bordo de jangadas, é um exemplo vivo da realidade da pesca no litoral brasileiro. Fica claro que é necessário elaborar um gerenciamento moderno para o setor para os próximos anos. E isso não é história de pescador - é de cientista também.
"Aqui na nossa comunidade a pesca é feita apenas com barcos a vela, o que já é um sofrimento. Nos últimos cinco anos, a produção tem caído bastante por causa das atividades predatórias e dos grandes barcos que vêm do Rio Grande do Norte e aqui mesmo do Ceará", relata Lima. Naquele trecho do litoral, as espécies mais cobiçadas, além dos crustáceos, são cavala, serra, garoupa, cioba e pargo.
Nas águas brasileiras, biodiversidade e abundância não navegam juntas. O fato de existir grande variedade de espécies se deslocando pelo fundo do mar não significa que elas estejam presentes em quantidades suficientes para pesca. É um quadro até certo ponto comum em sistemas ecológicos já analisados em outras regiões do mundo, tanto no seco quanto no molhado. Mas destrói um mito comum no inconsciente coletivo do país, talvez inaugurado com a chegada de Pedro Álvares Cabral e do escrivão Pero Vaz de Caminha, para quem, nesta terra "em se plantando tudo dá". No mar, o estoque de peixes não dá para todos e, com a sobrepesca, muitas espécies correm risco de extinção.
"É totalmente inverídica a noção de que, por contar com uma extensa área costeira, o Brasil dispõe de recursos pesqueiros ilimitados", afirma Carmen Lúcia Del Bianco Rossi-Wongtschowski, professora e pesquisadora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). "As características tropicais e subtropicais determinam uma produção biológica de magnitude apenas modesta para as águas brasileiras."
A conclusão é de um amplo estudo realizado durante os últimos dez anos em toda a costa brasileira, que contou com a participação de centenas de pesquisadores. Chamado Programa de Levantamento Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva, e apelidado de Revizee, o projeto realizou um inédito inventário de todos os recursos vivos, características ambientais, biomassa das populações marinhas e potencial de captura das espécies. |
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 | Eduardo Augusto Geraque É jornalista e biólogo. Mestre em oceanografia biológica pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, faz, na mesma universidade, doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam/USP), com especialização em jornalismo ambiental. |
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