Reportagem
edição 86 - Julho 2009
« 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 »
A longa e (incompleta) domesticação do gato
Descobertas genéticas e arqueológicas indicam que os gatos selvagens foram domesticados precocemente e em um local diferente do que se supunha
por Carlos A. Driscoll, Juliet Clutton-Brock, Andrew C. Kitchener e Stephen J. O'Brien
[LINHA DO TEMPO] - DE SELVAGENS A DOMÉSTICOS
STEPHEN DALTON Photo Researchers, Inc. (camundongo); THE ISRAEL MUSEUM, JERUSALÉM (estatueta); THE BRITISH MUSEUM (múmia); DAVE KING GETTY IMAGES (siamês); HELMI FLICK (pelo curto britânico
Pesquisadores, baseados em registros arqueológicos e históricos, acreditam que a transformação do gato selvagem africano em um animal de estimação onipresente transcorreu no decorrer de milhares de anos.

- 10.500 - 9.500 ANOS ATRÁS
Restos de um camundongo doméstico preservado entre os depósitos de grãos em Israel; o início da agricultura e dos povoados permanentes cria oportunidades de aproximação entre os gatos e os homens, com o fim de caçar camundongos.

- HÁ 9.500 ANOS, Enterro duplo de um ser humano e de um gato na ilha mediterrânea de Chipre; evidência mais antiga de uma relação especial entre as pessoas e os gatos.

- HÁ 3.700 ANOS Estatueta de marfim, esculpida em Israel, sugere que os gatos eram comumente vistos próximo de povoamentos no Crescente Fértil.

HÁ 3.600 ANOS, Artistas pintam gatos domesticados em Tebas, Egito; a evidência mais antiga e óbvia do gato totalmente domesticado.

- HÁ 2.900 ANOS Gatos se tornam “divindades oficiais” do Egito, na forma da deusa Bastet; o enorme número de gatos sacrificados e mumificados na sua cidade sagrada indica que os
egípcios criavam gatos domésticos.

- HÁ 2.300 ANOS, Auge da adoração do gato no Egito; os governantes ptolomaicos mantêm restrições severas para a exportação de gatos.

- HÁ 2.000 ANOS Restos preservados de gato em localidade alemã de Tofting, em Schleswig, e referências crescentes aos felinos na arte e na literatura mostram que os gatos domésticos eram comuns em toda a Europa.

- 1350-1767 Tamara Maew (ou os poemas do livro-gato), composto por monges budistas na Tailândia, descreve as raças naturais autóctones como o siamês, que surgiram em grande parte por meio de oscilações genéticas, em contraste com a intervenção humana.

- SÉCULO 19 A maioria das raças modernas se desenvolveu na Ilhas Britânicas, de acordo com textos do artista inglês de história natural, Harrison Weir.

- 1871 Exposição de gatos no Crystal Palace, em Londres, é a primeira a incluir raças desenvolvidas pelo homem.

- 2006 Primeiro gato hipoalergênico criado pela Allerca
« 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 »
Carlos A. Driscoll, Juliet Clutton-Brock, Andrew C. Kitchener e Stephen J. O'Brien Carlos A. Driscoll faz parte da equipe da Unidade de Pesquisa sobre a Preservação de Animais Selvagens da University of Oxford e do Laboratório de Diversidade Genômica do National Cancer Institute (NCI). Em 2007, publicou a primeira árvore genealógica, com base no DNA, do Felis silvestris, a espécie à qual pertence o gato doméstico. Juliet Clutton-Brock, fundadora do International Council for Archaeozoology, é pioneira no estudo da domesticação e dos primórdios da agricultura. Andrew C. Kitchener é o curador principal de mamíferos e aves do National Museums of Scotland, onde estuda a variação geográfica e a hibridação dos mamíferos e aves. Stephen J. O'Brien é chefe do Laboratório de Diversidade Genômica do NCI. Estudou a genética de guepardos, leões, orangotangos, pandas, baleias jubartes e do HIV. Este é seu quinto artigo para a SCIENTIFIC AMERICAN.
Veja aqui todas as reportagens publicadas neste site!