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Reportagem |
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| edição 86 - Julho 2009 |
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| A longa e (incompleta) domesticação do gato |
| Descobertas genéticas e arqueológicas indicam que os gatos selvagens foram domesticados precocemente e em um local diferente do que se supunha |
| por Carlos A. Driscoll, Juliet Clutton-Brock, Andrew C. Kitchener e Stephen J. O’Brien |
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CORTESIA DE KATHRIN STUCK Gato savana |
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| AINDA EM EVOLUÇÃO: o cruzamento de gatos domésticos com espécies exóticas de felinos vem revolucionando sua genética. A fotografia mostra um gato savana, resultado do cruzamento entre um gato doméstico e um cerval. |
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[continuação]
Como alternativa à hipótese da origem egípcia, alguns pesquisadores chegaram a propor que a domesticação do felino ocorreu em vários locais diferentes, e que cada domesticação gerou uma raça diversa. Para confundir ainda mais a questão havia o fato de os membros desses grupos de gatos selvagens serem difíceis de discernir dos domésticos com a pelagem tigrada, pois todos têm o mesmo padrão de pelagem de listas em curva e se acasalam entre si, confundindo ainda mais os limites populacionais.
Em 2000, um de nós (Driscoll) se propôs a estudar a questão, viajando e coletando amostras de DNA de 979 gatos selvagens e domésticos do sul da África, Azerbaidjão, Cazaquistão, Mongólia e Oriente Médio. Como em geral os gatos selvagens defendem um único território durante toda a vida, ele esperava que uma composição genética de grupos de gatos selvagens variasse conforme a geografia, mas permanecesse estável no tempo, como ocorre com muitas outras espécies felinas. Se os grupos autóctones regionais desses animais pudessem ser distintos, uns dos outros, com base no DNA; e se o DNA de gatos domésticos fosse mais semelhante que o das populações de gatos selvagens, ele teria uma evidência clara de onde a domesticação se iniciou.
Na análise genética, publicada em 2007, Driscoll e outro de nós (O’Brien) e colegas se concentraram em dois tipos de DNA que os biólogos moleculares tradicionalmente examinam para diferenciar os subgrupos de espécies mamíferas: o DNA mitocondrial, herdado exclusivamente da mãe, e pequenas e repetitivas sequências do DNA nucleico, denominado microssatélites. Usando rotinas já estabelecidas no computador, avaliaram a ancestralidade de cada um dos 979 indivíduos da amostragem, baseando-se em suas assinaturas genéticas. Especificamente, mediram como o DNA de cada gato era semelhante ao de todos os gatos e agruparam os animais com DNAs similares. Então, perguntaram se a maioria dos animais de um grupo habitava a mesma região. |
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| Carlos A. Driscoll, Juliet Clutton-Brock, Andrew C. Kitchener e Stephen J. O’Brien Carlos A. Driscoll faz parte da equipe da Unidade de Pesquisa sobre a Preservação de Animais Selvagens da University of Oxford e do Laboratório de Diversidade Genômica do National Cancer Institute (NCI). Em 2007, publicou a primeira árvore genealógica, com base no DNA, do Felis silvestris, a espécie à qual pertence o gato doméstico. Juliet Clutton-Brock, fundadora do International Council for Archaeozoology, é pioneira no estudo da domesticação e dos primórdios da agricultura. Andrew C. Kitchener é o curador principal de mamíferos e aves do National Museums of Scotland, onde estuda a variação geográfica e a hibridação dos mamíferos e aves. Stephen J. O’Brien é chefe do Laboratório de Diversidade Genômica do NCI. Estudou a genética de guepardos, leões, orangotangos, pandas, baleias jubartes e do HIV. Este é seu quinto artigo para a SCIENTIFIC AMERICAN. |
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