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Reportagem |
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| edição 74 - Julho 2008 |
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| A neurobiologia da confiança |
| Nossa propensão a acreditar em estranhos tem relação direta com a presença de uma pequena molécula no cérebro, a oxitocina. Levantamento internacional revela que os brasileiros são os que confiam menos |
| por Paul J. Zak |
[continuação]
O que acontece quando a oxitocina é elevada sinteticamente? Se estivermos certos sobre a questão do comutador, que manobra poderia estimular a confiança dos sujeitos 1 em seus parceiros e seria capaz de induzi-los a entregar dinheiro a um estranho? Para investigar essa questão, uma equipe de pesquisa da Universidade de Zurique, liderada pelo economista Ernst Fehr, e eu fizemos com que cerca de 200 investidores do sexo masculino inalassem uma dose de oxitocina sob a forma de spray nasal – ingestão que leva a droga ao cérebro – e comparamos seu comportamento com o dos sujeitos de um grupo de controle que inalaram placebo. Constatamos que os que receberam oxitocina deram 17% mais dinheiro a seu parceiro. Mais esclarecedor ainda, o dobro dos sujeitos 1 dosados – quase a metade deles – os controles exibiram confiança máxima: eles transferiram todo seu dinheiro. Esse experimento mostrou que um aumento da oxitocina no cérebro reduz nossa ansiedade natural – totalmente apropriada – ao interagiremos com um estranho. Deve-se notar, no entanto, que alguns participantes que receberam a oxitocina não apresentaram níveis altos de confiança. Aparentemente, para alguns, um aumento na oxitocina por si só não é suficiente para superar a desconfiança em relação a estranhos. É preciso esclarecer que nosso experimento não teve, evidentemente, relação com manipular a mente das pessoas para esvaziar sua carteira, já que, com certeza, os sujeitos não foram transformados em autômatos. Também não ofereceu a possibilidade que vendedores ou políticos pudessem pulverizar oxitocina no ar ou adulterar alimentos e bebidas alheios para forçar as pessoas a confiar neles. A oxitocina é decomposta no intestino, assim, a administração via oral não provoca efeito no cérebro. Além disso, as formas intravenosa e nasal são facilmente reconhecidas, e expirá-la no ar não elevaria os níveis cerebrais de forma apreciável. Assim, não se deixe enganar por empresas que prometem vender “confiança engarrafada”. |
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 | Paul J. Zak é diretor-fundador e professor de economia do Centro de Estudos em Neuroeconomia da Claremont Graduate University. Zak também leciona neurologia clínica no Centro Médico da Loma Linda University. Ele é Ph.D. em economia pela University of Pennsylvania e pós-doutorando em neuroimagem pela Harvard University. Seu livro recente, Moral markets: the critical role of values in the economy, foi publicado pela Princeton University Press, este ano. |
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