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Reportagem |
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| edição 24 - Maio 2004 |
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| A Tirania da Escolha |
| É razoável pensar que um leque maior de opções seria conveniente e agradaria as pessoas. O excesso de possibilidades, no entanto, muitas vezes contribui para a infelicidade delas |
| por Barry Schwartz |
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MATT COLLINS (ADAPTAÇÃO PERMITIDA PELO JOURNAL OF PERSONALITY AND SOCIAL PSYCHOLOGY) |
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Em comparação com qualquer outra época, os americanos dispõem atualmente de um número maior de opções em várias esferas. Em certa medida, a oportunidade de escolher eleva a qualidade de nossa vida. É razoável pensar que se alguma possibilidade de escolha é algo bom, um número maior de possibilidades é ainda melhor. Quem considera importante a existência de uma infinidade de opções irá se beneficiar com ela, e os que não se importam sempre poderão ignorar as 273 alternativas de cereal matinal que nunca experimentaram. Mas pesquisas recentes sugerem que, psicologicamente, essa suposição está errada. Embora alguma possibilidade de escolha seja, sem dúvida, melhor que nenhuma, mais nem sempre é melhor do que menos.
Essa evidência é consistente com tendências sociais de larga escala. As avaliações do bem-estar, feitas por vários cientistas sociais – entre os quais David G. Meyers, do Hope College, e Robert E. Lane, da Universidade de Yale –, mostram que, nos Estados Unidos e na maioria das sociedades afluentes, o aumento do leque de opções e da riqueza foram, de fato, acompanhados por uma diminuição do bem-estar. Nos últimos 30 anos, o Produto Interno Bruto mais que dobrou, enquanto a proporção da população que se considera “muito feliz” diminuiu cerca de 5% (aproximadamente 14 milhões de pessoas). É claro que um único fator não pode explicar a deterioração do bem-estar, mas alguns dados indicam que o aumento das alternativas de escolha desempenha um papel importante.
Parece que, conforme a sociedade torna-se mais rica e as pessoas mais livres para fazer o que querem, ficam também menos felizes. Em uma época de autonomia pessoal, escolha e controle cada vez mais amplos, o que poderia explicar esse grau de infelicidade?
Com vários colegas, recentemente fiz uma pesquisa que dá pistas sobre as razões pelas quais as pessoas tornam-se mais infelizes quando aumentam suas opções. Partimos de uma distinção entre “maximizadores” (aqueles que sempre almejam fazer a melhor escolha possível) e os que “buscam a satisfação” (os que contentam-se com o “suficientemente bom”, independentemente da existência ou não de melhores opções). Essa noção dos que “buscam a satisfação” foi tomada do economista e psicólogo Herbert A. Simon, da Universidade Carnegie Mellon, ganhador do Prêmio Nobel. |
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| Barry Schwartz é professor de Teoria Social e Ação Social no departamento de psicologia do Swarthmore College, onde leciona desde 1971. Publicou recentemente um livro sobre o tema: The Paradox of Choice: Why More is Less (Ecco Press, 2004). Escreveu ainda outros livros e vários artigos em revistas especializadas. |
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