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Reportagem |
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| edição 87 - Agosto 2009 |
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| A trilha de sangue do marfim |
| A brutal matança de elefantes africanos para retirada de marfim está pior agora que na década de 80. Novas ferramentas de investigação forense, baseadas na análise de DNA, podem denunciar os grupos criminosos por trás desse comércio violento |
| por Samuel K. Wasser, Bill Clark, Cathy Laurie, Celia Mailand e Matthew Stephens |
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JEFF HUTCHENS REPORTAGEM DE GETTY IMAGES |
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| ZONA MORTA. Este elefante foi abatido dentro do Parque Nacional Zakouma, no Chade, em outubro passado, quando caçadores dispararam com armas automáticas contra uma manada que pastava. É apenas uma das estimadas 38 mil vítimas anuais do comércio ilegal de marfim. |
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Em 1983, enquanto explorava uma pequena floresta denominada Malundwe, numa extremidade da Reserva de Caça de Selous na Tanzânia, um de nós (Wasser) encontrou dois crânios de elefantes dispostos lado a lado. Um deles, de fêmea, era grande, e o outro pequeno – os molares tinham um quarto do tamanho dos da fêmea e ainda não tinham sido usados o bastante para exibir vestígios de desgaste. Um guarda nos contou que, inicialmente, os caçadores atiraram no elefante jovem para atrair a mãe aflita, perto o suficiente para matá-la e extraírem suas enormes presas. Essa exploração dos laços de família do sofisticado sistema social dos elefantes se repete indefinidamente na África.
A Reserva de Caça de Selous é a maior área africana protegida, no entanto, estava entre as mais invadidas durante as divulgadas matanças ocorridas entre 1979 e 1989. Pelo menos 700 mil elefantes foram mortos durante esse período – 70 mil apenas em Selous. Depois, em 1989, o novo diretor de vida selvagem da Tanzânia lançou uma grande operação contra a caça ilegal, denominada Uhai. O esforço combinado de guardas florestais, policiais e militares, rapidamente acabou com a maior parte da caça ilegal no país.
Depois, a Tanzânia uniu-se a seis outros países, organizando uma bem-sucedida petição para o acordo gerenciado pela ONU, conhecido como Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites, na sigla em inglês) colocando o elefante africano na lista como uma espécie constante do Apêndice I. Este regulamento baniu com eficiência todo o comércio internacional de elefantes e seus produtos. A publicidade gerada pelo assunto tornou o sentimento público tão forte contra o comércio de marfim que quase eliminou a demanda de marfim no mundo todo; em resposta, a maior parte da caça ilegal cessou abruptamente. Os países ocidentais ajudaram a manter a calmaria despejando grandes somas de auxílio para os esforços contra as caça ilegal em toda a África. Coletivamente, este foi talvez o ato mais eficaz de legislação internacional sobre a vida selvagem na história, e a pressão pública foi um instrumento para seu sucesso. |
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| Samuel K. Wasser, Bill Clark, Cathy Laurie, Celia Mailand e Matthew Stephens Samuel K. Wasser é professor de biologia e diretor do Center for Conservation Biology da University of Washington. Ele criou e vem coordenando os projetos forenses de DNA do marfi m. Bill Clark é diretor do Grupo de Trabalho da Interpol sobre Crimes contra a Vida Selvagem e funcionário da Secretaria da Natureza e dos Parques do governo israelense. Conduziu a aplicação desses métodos forenses em investigações criminais. Cathy Laurie, geneticista estatística da University of Washington, fez a análise estatística dos confiscos de Taiwan e Hong Kong. Duas outras pessoas contribuíram significativamente para o trabalho. Celia Mailand, pesquisadora científica do Center for Conservation Biology, que fez todas as análises de laboratório de DNA. Matthew Stephens, professor de genética humana e estatística da University of Chicago, desenvolveu toda a metodologia estatística e os programas usados nos projetos. |
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