Reportagem
edição 87 - Agosto 2009
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A trilha de sangue do marfim
A brutal matança de elefantes africanos para retirada de marfim está pior agora que na década de 80. Novas ferramentas de investigação forense, baseadas na análise de DNA, podem denunciar os grupos criminosos por trás desse comércio violento
por Samuel K. Wasser, Bill Clark, Cathy Laurie, Celia Mailand e Matthew Stephens
Os elefantes não são os únicos
KWAI CHOW WONG Getty Images
O tráfico ilegal de animais e plantas silvestres de várias espécies e de seus produtos vem proliferando em todo o mundo, excedendo de longe a capacidade de monitoramento e de coação. Estudos sérios de fontes diversas indicam que o comércio ilegal de espécies silvestres pode ser calculado em dezenas de bilhões de dólares, anualmente. A liberalização do comércio global tem ajudado a abrir o mercado para produtos ilegais de animais selvagens, assim como a tecnologia: pesquisas recentes indicam quantidades significativas de marfim de origem duvidosa sendo oferecido para venda na internet. O considerável comércio legal de espécimes silvestres raros – mais de 100 milhões de espécies raras são compradas e vendidas todos os anos sob controle do Cites – que também oferece a conduta ideal em relação ao comércio ilegal. Quanto ao marfim, está ficando claro que as organizações criminosas estão por trás de grande parte dele. Nos últimos anos, as autoridades fizeram uma série de batidas enormes e desconcertantes, confiscando 55 mil peles de répteis na Índia, 19 mil barbatanas de tubarão-raposa no Equador, 23 toneladas de pangolins na Ásia, três mil xales shahtoosh tibetanos de, pelo menos, 12 mil antílopes na Índia e 2 mil tartarugas-estrela-indianas também na Índia. – S.K.W.
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Samuel K. Wasser, Bill Clark, Cathy Laurie, Celia Mailand e Matthew Stephens Samuel K. Wasser é professor de biologia e diretor do Center for Conservation Biology da University of Washington. Ele criou e vem coordenando os projetos forenses de DNA do marfi m. Bill Clark é diretor do Grupo de Trabalho da Interpol sobre Crimes contra a Vida Selvagem e funcionário da Secretaria da Natureza e dos Parques do governo israelense. Conduziu a aplicação desses métodos forenses em investigações criminais. Cathy Laurie, geneticista estatística da University of Washington, fez a análise estatística dos confiscos de Taiwan e Hong Kong. Duas outras pessoas contribuíram significativamente para o trabalho. Celia Mailand, pesquisadora científica do Center for Conservation Biology, que fez todas as análises de laboratório de DNA. Matthew Stephens, professor de genética humana e estatística da University of Chicago, desenvolveu toda a metodologia estatística e os programas usados nos projetos.
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