Reportagem
edição 87 - Agosto 2009
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A trilha de sangue do marfim
A brutal matança de elefantes africanos para retirada de marfim está pior agora que na década de 80. Novas ferramentas de investigação forense, baseadas na análise de DNA, podem denunciar os grupos criminosos por trás desse comércio violento
por Samuel K. Wasser, Bill Clark, Cathy Laurie, Celia Mailand e Matthew Stephens
PATRICK ROBERT Corbis
MERCADO BRANCO. Mercados livres de marfim como este em Kinshasa, na República Democrática do Congo, se expandiram para apoiar o crescente comércio de marfim. Mas a explosão real da demanda de marfim é conduzida pelas nações industrializadas do Extremo Oriente, onde as pessoas usam sinetes denominados hankos (abaixo à esquerda) para carimbar documentos.
[continuação]

Para cessar essa matança, agentes da lei devem concentrar suas operações nos locais onde os elefantes estão sendo caçados.

No entanto, até recentemente, e de forma geral, os investigadores foram incapazes de rastrear sequer uma caixa de produto contrabandeado até o local onde os elefantes foram mortos. Um carregamento ilegal pode ter sido caçado em um país, processado em outro e embarcado em um terceiro.

O conhecimento do local onde os elefantes estão sendo mortos também ajuda a pressionar os países com operações ineficientes contra a caça ilegal. Além disso, o padrão da origem geográfica pode fornecer indícios de como os caçadores ilegais operam. Se, por exemplo, a maioria do marfim de um lote vem de um lugar comum, podemos concluir que os caçadores ilegais têm em vista uma população específica de elefantes. Nesse caso, os agentes da lei devem buscar um círculo bem organizado e exclusivo de caçadores ilegais. Em contraposição, se o marfim de determinado lote vem de locais bem distantes, os traficantes podem estar adquirindo seus estoques por meio de uma rede de compras oportunistas de comerciantes ocasionais.

Em um esforço para relacionar um lote à sua fonte, desenvolvemos métodos forenses de estudo de DNA para determinar onde a caça ilegal de elefantes se concentra na África. Nossos métodos de estudo de moléculas são semelhantes aos usados para comparar evidências de cenas de crime, como o sangue humano e outros tecidos, com suspeitos específicos. Embora, nesse caso, o material do local do crime seja o marfim, que estamos tentando combinar com as populações de elefantes na África.
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Samuel K. Wasser, Bill Clark, Cathy Laurie, Celia Mailand e Matthew Stephens Samuel K. Wasser é professor de biologia e diretor do Center for Conservation Biology da University of Washington. Ele criou e vem coordenando os projetos forenses de DNA do marfi m. Bill Clark é diretor do Grupo de Trabalho da Interpol sobre Crimes contra a Vida Selvagem e funcionário da Secretaria da Natureza e dos Parques do governo israelense. Conduziu a aplicação desses métodos forenses em investigações criminais. Cathy Laurie, geneticista estatística da University of Washington, fez a análise estatística dos confiscos de Taiwan e Hong Kong. Duas outras pessoas contribuíram significativamente para o trabalho. Celia Mailand, pesquisadora científica do Center for Conservation Biology, que fez todas as análises de laboratório de DNA. Matthew Stephens, professor de genética humana e estatística da University of Chicago, desenvolveu toda a metodologia estatística e os programas usados nos projetos.
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