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Reportagem |
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| edição 68 - Janeiro 2008 |
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| Anatomia do Pé Grande |
| O Sasquatch é apenas uma lenda? Algumas evidências sugerem que não, argumenta o anatomista Jeffrey Meldrum. Ele defende esta posição apesar do ceticismo de parte dos antropólogos e de seus colegas de universidade |
| por Marguerite Holloway |
Em uma manhã nublada de domingo em 1996, Jeffrey Meldrum e seu irmão dirigiram até Walla Walla, Washington, para ver se podiam encontrar Paul Freeman, reconhecido entre os círculos de admiradores do Pé Grande como fonte de moldes de pegadas. Meldrum – que acompanha a história do Pé Grande desde que era menino – ouviu que Freeman era um embusteiro, “de forma que eu tinha minhas dúvidas quanto a recebê-lo”, ele lembra. Os irmãos chegaram sem aviso, disse Meldrum, e conversaram com Freeman sobre sua coleção. Freeman disse que tinha encontrado rastros naquela manhã, mas as pegadas não eram boas, nem valiam um molde. Os irmãos quiseram vê-las assim mesmo. “Eu imaginei que poderíamos usar aquilo para estudar a anatomia de uma fraude”, diz Meldrum. Em vez disso, a visita de Meldrum a um dos cumes das Blue Mountains o colocou firmemente na busca a que se dedica desde então.
Meldrum, 49 anos, professor associado de anatomia e antropologia da Idaho State University, é um especialista em morfologia do pé e locomoção de símios e hominídeos. Ele estuda a evolução do bipedismo e editou From biped to strider (Springer, 2004), livro de referência. Ele empregou seus conhecimentos de anatomia no sítio nos arredores de Walla Walla. As pegadas de pouco mais de 35 cm que Freeman lhe mostrou eram interessantes, relata Meldrum, pois algumas viravam para fora em um ângulo de 45o, sugerindo que o responsável por elas havia olhado para trás, por cima do ombro. Algumas mostravam marcas de pele, outras eram planas com detalhes anatômicos distintos, outras ainda registravam os pés em uma corrida – pegadas apenas da parte dianteira do pé, do contato dos dedos com a lama. Meldrum extraiu moldes e decidiu que seria difícil falsificar as pegadas dos pés em uma corrida, “a menos que você tivesse algum tipo de dispositivo, alguns dedos mecânicos flexíveis”.
Para Meldrum, a anatomia registrada naquelas pegadas e nos moldes de outras que também examinou, assim como os pêlos não identificados, as gravações estranhas e depoimentos de testemunhas, se somam como evidência válida que merece estudo. Ele analisa essas evidências em Sasquatch: legend meets science (Forge, 2006). “Meu livro não é uma tentativa de convencer as pessoas da existência do Sasquatch”, diz enfaticamente Meldrum. Em vez disso, ele argumenta que “a evidência existente justifica plenamente a investigação e o interesse nessa questão”.
Para os críticos de Meldrum – incluindo colegas da universidade e cientistas de seu próprio campo de estudo –, a mesma coleção não é evidência válida, e o exame feito por ele seria pseudocientífico: nada mais que crença envolta em linguagem de análise e rigor científicos. “Mesmo se você tiver 1 milhão de provas, se toda evidência for inconclusiva, não é possível esperar que a soma delas produza algo conclusivo”, diz David J. Daegling, antropólogo da University of Florida e autor de Bigfoot exposed (AltaMira, 2004), que critica Meldrum e sua busca pelo Pé Grande na Skeptical Inquirer. |
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