Reportagem
  
edição 56 - Janeiro 2007
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Aplicações dos animais transgênicos
O aperfeiçoamento genético de animais para fins científicos, médicos e econômicos ganhou enorme ímpeto com a técnica da transgênese. Produtos originários de organismos transgênicos tendem a se tornar cada vez mais difundidos
por João B. Pesquero, Heloisa A. Baptista, Fabiana L. T. Motta e Suzana M. de Oliveira
[continuação]

Após a microinjeção, os embriões são transferidos para o útero de uma fêmea receptora pseudográvida (um estado semelhante ao da gravidez que ocorre em alguns mamíferos), que levará a termo o nascimento dos transgênicos. A taxa de integração do DNA no genoma embrionário é baixa - cerca de 1% a 4%. Ou seja, apenas alguns animais nascidos carregarão o transgene integrado em seus cromossomos. Para identificar quais são os espécimes transgênicos, utiliza-se uma técnica denominada genotipagem, por meio da qual se identifica a presença do transgene no genoma de todos os animais nascidos.

A integração do transgene por microinjeção, como dito anteriormente, ocorre de forma aleatória no genoma, e todas as células do animal são geneticamente modificadas, inclusive as germinativas, de modo que essa alteração será transmitida aos seus descendentes. Todo animal transgênico positivo originado de um embrião microinjetado é classificado como fundador de uma linhagem transgênica única, que difere de outro fundador quanto ao local de inserção e ao número de cópias do transgene no genoma
Modificação Genética Dirigida
Desde o início, um dos principais objetivos da transgênese era produzir animais com alterações específicas e controladas no genoma, tais como inativação de genes ou mutações pontuais de aminoácidos nas proteínas codificadas por eles. Hoje isso é possível, porém a técnica empregada para produzir esses animais é mais complexa que a de adição gênica. Ao contrário desta, o método utilizado para a modificação e inativação de genes exige que se conheça sua localização no genoma. Por isso, ele é denominado modificação genética dirigida ou controlada. Essa técnica possibilita substituir um gene funcional por uma seqüência mutada que, uma vez introduzida, inativa o gene endógeno original, gerando um animal conhecido como modelo knockout. Da mesma forma, é possível alterar uma pequena seqüência do gene, gerando um modelo knockin que produzirá uma proteína modificada em vez da proteína endógena intacta naturalmente presente no animal. O termo knockin se deve ao fato de, nessa técnica, o gene endógeno ser retirado do genoma e substituído por outro com uma pequena modificação.

A analogia do genoma a uma biblioteca é bastante adequada para entender os modelos de alteração genética. Na transgênese por adição, imagina-se uma ou várias cópias de um livro sendo colocadas aleatoriamente nas estantes, enquanto a inativação gênica (knockout) é como a retirada permanente de um livro específico da biblioteca ou ainda a modificação de apenas uma página desse livro e sua reposição na prateleira (modelo knockin).
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João B. Pesquero, Heloisa A. Baptista, Fabiana L. T. Motta e Suzana M. de Oliveira são pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Modelos Experimentais em Medicina e Biologia (Cedeme) da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
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